Google. Funcionários insurgem-se contra motor de busca censurado na China

Trabalhadores receiam estar a contribuir para a construção de um motor de busca com filtros, sem saberem

1400 funcionários da Google assinaram uma carta contra a possibilidade da gigante da Internet disponibilizar uma versão do seu motor de busca na China, censurando palavras e expressões. Os trabalhadores pedem mais transparência à empresa e alegam que o projeto levanta "questões morais e éticas".

"Nós precisamos urgentemente de mais transparência, de um lugar à mesa das negociações, e de uma comissão para esclarecer e abrir processos: os trabalhadores da Google precisam de saber o que estão a construir", refere a carta escrita pelos funcionários,​​​​ citada pelo jornal norte-americano New Yourk Times (NYT).

Os trabalhadores queixam-se de falta de informação sobre a forma como a empresa está a usar o seu trabalho: "Atualmente, nós não temos informação necessária para tomar decisões informadas e éticas sobre o nosso trabalho, os nossos projetos e os nossos empregos".

Funcionários da Google contaram ao NYT que souberam do projeto Dragonfly através da imprensa. No início de agosto, o site de notícias The Intercept divulgou uma investigação que revelava que a empresa estaria a desenvolver uma versão do seu motor de busca com filtros para ser utilizada na China a partir de 2019. O projeto bloquearia termos relacionados com direitos humanos, democracia e religião.

A Google saiu da China em 2010 quando políticos norte-americanos começaram a acusar a empresa de se aliar à censura do regime chinês. Os mais de 770 utilizadores de Internet do país asiáticos estão também impedidos de aceder a redes sociais como o Facebook, o Twitter ou o Instagram.

Em abril, os funcionários da gigante tinham assinando uma petição contra o projeto Maven, que pretendia usar a inteligência artificial para melhorar o armamento do exército dos Estados Unidos. A Google acabou por não renovar o contrato que tinha com o Pentágono.

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