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Fugiu da guerra a pé. 651 dias de Cabul a Lisboa

O pai de Ali quis que ele procurasse o futuro fora do Afeganistão. Muitas vezes a pé, escondido, conseguiu chegar a Portugal. Sonha combater com a camisola portuguesa.

Ali Nazari Hossein fugiu da guerra do Afeganistão. Fugiu da desesperança, do futuro incerto, fugiu para estudar e sonhar. Disse-lhe isso o pai, que juntou ao seu dinheiro o de familiares para os dois filhos mais novos deixarem Parwan, a cidade natal, na província de Cabul. Sofreu uma emboscada nas montanhas quando seguia de carrinha para vender os produtos que cultivava, feriu-se na perna e desistiu da agricultura. Convenceu-se de que o melhor seria enviar Ali, na altura com 15 anos, e Ahmada, com 13, para a Europa. O mais novo chorou tanto que, já na Grécia, pediu para ser deportado. Ali alcançou Lisboa ao fim de 651 dias e milhares de quilómetros: a pé, de carro, de autocarro, de comboio, de bote e num camião. Viajou na mala do carro e no eixo de um camião. Três meses depois de chegar a Portugal, começou a praticar artes marciais e já ganhou sete medalhas. Sonha um dia conquistá-las com a camisola portuguesa.

"No Afeganistão tinha problemas, não conseguia estudar, e o meu pai, o meu tio, o meu irmão mais velho, juntaram dinheiro para eu sair ", conta Ali, hoje com 20 anos. A mãe morreu, Ali vivia com o pai e a madrasta em Parwan. A irmã mais velha, com 29 anos, vive no Irão, e tem um irmão, de 25, no Dubai. Ahmada, de 18, vive no Afeganistão. Estava num campo de refugiados na Grécia quando pediu para ser deportado. Ali pensa que estão nesses países, mas não têm falado.

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