Facebook tentou espiar milhões de telefonemas e mensagens de texto

Os dados seriam usados ​​para recursos como as recomendações de amigos "Pessoas que você talvez conheça", projetadas para aumentar o "engajamento" e as receitas.

O Facebook terá acedido a dados pessoais de centenas de milhões de telefonemas e mensagens de textos de usuários sem permissão. Os dados seriam usados ​​para recursos como as recomendações de amigos "Pessoas que você talvez conheça", projetadas para aumentar o "engajamento" e as receitas.

Os detalhes de como os engenheiros do Facebook conceberam uma maneira para criar "permissões" nos aplicativos de telefones Android sem pedir a habitual autorização está explicado no relatório de 250 páginas com e-mails da empresa publicados pelo Parlamento britânico - inicialmente recolhidos pela empresa de tecnologia Six4Three, que processou o Facebook em 2015..

Segundo os documentos revelados, um funcionário da rede social assegurou que a equipa havia inventado uma maneira de recolher dados dos usuários de telefones Android sem "sujeitá-los" ao habitual pedido de permissão. "Essa é uma coisa muito arriscada de se fazer a partir de uma perspectiva de relações públicas, mas parece que a equipe de crescimento vai investir adiante e fazer isso", alertou outro funcionário.

A rede social criada por Mark Zuckerberg continua assim debaixo de suspeita. Na quarta-feira o Parlamento britânico revelou que o Facebook deu a várias empresas acesso especial a dados dos utilizadores. Entre elas estavam o Netflix, o Airbnb, a Lyft, uma aplicação de viagens semelhante à Uber. "Sentimos que não têm existido respostas concretas do Facebook sobre estes assuntos importantes, e é por isso que estamos a publicar os documentos", justificou o deputado Damian Collins, responsável pelo processo, em comunicado.

O Facebook justificou: "Como já dissemos muitas vezes, o Six4Three selecionou esses documentos de anos atrás como parte de um processo para forçar o Facebook a compartilhar informações sobre amigos dos usuários do aplicativo".

A rede social criada por Mark Zuckerberg continua assim debaixo de suspeita. Já em junho, uma notícia do jornal Wall Street Journal já tinha alertado para a existência de acordos especiais com várias empresas em relação aos dados dos utilizadores. Agora parece colocada em causa os telefonemas e as mensagens de texto.

No início do ano o Facebook já tinha sido acusado de não proteger os dados pessoais de cerca de 50 milhões de utilizadores, depois de os dados, recolhidos pela Cambridge Analytica (empresa britânica de análise de dados) serem utilizados sem consentimento para influenciar milhões de eleitores nas presidenciais norte-americanas.

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