Enfermeiros suspendem greve nos blocos operatórios até novas negociações a 30 de janeiro

Duas estruturas sindicais têm prevista uma nova greve em vários blocos operatórios do país até ao final de fevereiro, tendo sido reunido um fundo em donativos de mais de 420 mil euros numa plataforma 'online' para financiar a paralisação

A greve dos enfermeiros em blocos operatórios vai manter-se suspensa até 30 de janeiro, dia em que haverá nova uma reunião negocial entre os sindicatos e o Governo.

No final de uma reunião de cerca de quatro horas no Ministério da Saúde, os representantes dos sindicatos que convocaram a "greve cirúrgica" disseram aos jornalistas que há margem para continuar a negociar, adiantando que está garantida a criação de uma carreira com três categorias, incluindo a de especialista.

A greve, convocada pela Associação Sindical Portuguesa dos Enfermeiros (ASPE) e pelo Sindicato Democrático dos Enfermeiros de Portugal (Sindepor), deveria ter começado na passada segunda-feira, mas foi suspensa até esta quinta-feira para se esperar pelo resultado da reunião, onde estiveram a ministra da Saúde, Marta Temido, e a secretária de Estado do Emprego e Administração Pública, Maria de Fátima Fonseca, em representação do Ministério das Finanças.

As duas estruturas sindicais têm prevista uma nova greve em vários blocos operatórios do país até ao final de fevereiro, tendo sido reunido um fundo em donativos de mais de 420 mil euros numa plataforma 'online' para financiar a paralisação.

"Não vamos cancelar a greve"

A presidente da ASPE sublinhou que a greve cirúrgica não vai ser cancelada, ficando apenas suspensa até ao próximo dia 30.

"Não vamos cancelar a greve, que está prevista até 28 de fevereiro. Se no dia 30 não chegarmos a um acordo aceitável, iniciaremos a greve e convocaremos nova greve para outras instituições [mais hospitais além dos sete definidos], reforçando a nossa posição", afirmou Lúcia Leite.

O presidente do Sindepor, Carlos Ramalho, disse aos jornalistas que na reunião de quinta-feira os profissionais conseguiram "garantir a certeza de que vai haver uma carreira com três categorias", incluindo a da especialista.

O sindicalista adiantou também que vai haver um "justo descongelamento das progressões" e que todos os enfermeiros especialistas atualmente em funções vão ter compensação, o que não está a ocorrer.

Por fechar estão questões como a tabela salarial ou a redução da idade da reforma.

Por parte da ASPE, Lúcia Leite considerou que a negociação de quinta-feira trouxe avanço no sentido de mostrar que o Ministério tem disponibilidade para negociar várias matérias.

Novo protocolo negocial para o acordo coletivo de trabalho

Além de conseguirem uma negociação suplementar para dia 30 deste mês, ficou assumido, segundo Lúcia Leite, que vai haver um novo protocolo negocial para o acordo coletivo de trabalho, no âmbito do qual podem ser incluídas questões como a idade de aposentação ou a penosidade da profissão.

"Deixámos as nossas linhas vermelhas. Mas não nos podemos colocar numa posição de 'quem tudo quer tudo perde'. Temos algumas linhas vermelhas, mas temos algum espaço de flexibilidade", afirmou a presidente da ASPE aos jornalistas, escusando-se a adiantar quais são os limites de cedência por parte dos sindicatos.

Antes do encontro com ASPE e Sindepor, o Governo esteve reunido com o Sindicato dos Enfermeiros Portugueses, que decidiu manter uma greve de quatro dias na próxima semana, depois de o Ministério da Saúde ter imposto na quinta-feira unilateralmente o "encerramento abrupto" do processo negocial, segundo fonte sindical.

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