Duelo entre Moura Guedes e Sousa Tavares separado pelas TV

Manuela Moura Guedes voltou à TV, estreou-se na SIC como comentadora: A Procuradora. Ocupa um espaço deixado por Miguel Sousa Tavares, que trocou a estação de Carnaxide pela TVI. Comentam a atualidade à segunda-feira.

As eleições no Brasil e o caso Cristiano Ronaldo foram os temas que ambos os comentadores analisaram. Manuela Moura Guedes falou no final do Jornal da Noite, da SIC; Miguel Sousa Tavares interveio ao longo do Jornal das 8, da TVI, cuja edição faz questão de acompanhar.

"Bolsonaro foi a grande surpresa destas eleições, pela votação massiva. Os brasileiros não votaram pelo fascismo, votaram contra os partidos que têm estado no poder e contra a situação em que tem estado o Brasil, de crise económica e violência. É isso que eles vivem no dia-a-dia e não querem. No Brasil a violência é mesmo violenta. Os brasileiros não querem o PT no poder, e Bolsonaro aparece agora como um candidato fora do sistema, que não é partidário, um salvador", considerou a jornalista de 62 anos.

Miguel Sousa Tavares não esconde a sua paixão pelo Brasil, que se mantém, "mas que está alimentada por muita desilusão", face aos resultados alcançados por Bolsonaro, que prevê ser o novo presidente do Brasil, ganhando as eleições à segunda volta. O jornalista disse que era "um voto de desilusão, de desesperança e de medo". Vê a votação dos brasileiros "quase como uma guerra civil e em que só ficam os extremos". Para sublinhar: "Sendo um país profundamente desigual, é talvez o país mais mal governado. Teme um golpe de estado por parte dos militares.

Da atualidade no Brasil à alegada violação de Cristiano Ronaldo nos Estados Unidos em 2009. Manuela Moura Guedes referiu-se ao caso como "complicado" e realçou o perigo do movimento #MeToo. "Toda a gente em Portugal deseja a absolvição de Cristiano Ronaldo, que continua a ser o herói de todos. Mas neste caso não pode contar como herói, é uma pessoa como as outras. E quando alguém diz que não, é não! Por outro lado, este movimento do #MeToo tem um lado muito desagradável, porque todos os alvos são pessoas conhecidas. Começa logo um estigma e um julgamento popular, e Cristiano Ronaldo já começa a sofrer com isso, já começa a ser julgado", frisou, acerca da acusação de Kathryn Mayorga ao futebolista internacional português.

Miguel Sousa Tavares discorda das atitudes de Cristiano Ronaldo e de Kathryn Mayorga, mas considera que este não é o cerne da questão. "Cavalgando o movimento #MeToo, agora resolveu [Kathryn] que os 375 mil dólares não chegam... É disso que se trata, é assim que vejo os factos".

Se a antiga apresentadora defendeu CR7, atacou... o ministro da Defesa, a propósito do roubo de material em Tancos no ano passado. "Azeredo Lopes, desde o princípio do roubo de Tancos, nada sabe. Um ministro não tem de saber tudo, mas tem de assumir a responsabilidade por casos graves como este. Não acredito que o ministro, o primeiro-ministro e o Presidente da República não soubessem. Acho que o Chefe do Estado-Maior do Exército também se devia demitir. Azeredo Lopes devia poupar-se a esta vergonha, não sei o que ele considera responsabilidade política", vincou.

Por fim, Manuela Moura Guedes comentou a não renovação do mandato de Joana Marques Vidal enquanto procuradora-geral da República e as declarações sobre a cessão de funções da magistrada por parte de António Costa, que disse que Marques Vidal era "mesmo uma pessoa feliz por ser a primeira que cessa funções, não manchando o seu mandato com críticas, mas só com elogios". "Vimos como ela estava feliz quando soube, já com o mandato quase a terminar. O primeiro-ministro fala nos elogios, mas toda a gente a elogiou menos ele. O Presidente da República foi a pessoa que mais mal se portou neste processo", atirou, visando igualmente Marcelo Rebelo de Sousa.

Miguel Sousa Tavares terminou o comentário elogiando Saramago, também as homenagens que lhe têm sido feitas, "pela dimensão da sua obra". Sublinhando: "É inestimável o que devemos a Saramago pelo Nobel da Literatura, é um grande artífice da língua portuguesa, um operário da palavra." Acabou o Jornal das 8 a ler um poema do brasileiro Carlos Drummond de Andrade, "Congresso internacional do medo".

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