Grátis com o DN, dez ilustrações de André Carrilho

A partir de hoje, aos domingos, o DN oferece aos leitores dez ilustrações de André Carrilho, o autor da rubrica Déjà Vu.

Nelson Mandela a segurar uma pomba branca feita de arame farpado. Publicado no DN a 8 de dezembro de 2013, após a morte de Mandela, este desenho, criado por André Carrilho, em parceria com Luís Lázaro, foi premiado no Porto Cartoon e também no concurso da Society of Illustrators, dos EUA, em 2014. E é também a ilustração que é oferecida hoje com o jornal.

André Carrilho é, há quase dez anos, o autor da rubrica de cartoon editorial do DN, Déjà Vu - que entretanto já deu origem a um livro e neste momento é também uma exposição que está patente até 2 de novembro na Assembleia da República. Para assinalar este facto, o DN oferece aos seus leitores, a partir de hoje e durante dez domingos, dez ilustrações de Carrilho.

Dos 15 anos do 11 de Setembro à antevisão do ano de 2018, estes dez desenhos tanto provocam o riso (como aquele em que Trump está a falar em frente de um microfone mas até parece que tem um bigode à Hitler), como podem causar-nos um nó na garganta (como o do barco de refugiados que procuram a liberdade mas enfrentam uma onda de arame farpado) - mas todos eles nos fazem pensar um pouco no mundo e no momento em que vivemos.

"Todas as semanas há assuntos para comentar e eu nunca falhei. Estou sempre atento, é a minha maneira de estar no mundo. E também é o meu temperamento, ser crítico e depois usar isso para o desenho", explicava André Carrilho numa entrevista ao DN publicada há duas semanas. "Há alturas em que me apetece fazer rir as pessoas mas a maior parte das vezes parto de uma perspetiva de crítica social e de linguagem gráfica conceptual."

Nestas ilustrações que publica todas as semanas no DN, Carrilho tanto pode tratar temas nacionais como internacionais, depende muito do ciclo noticioso, explica. "Procuro os temas que definem a nossa atualidade. Quando o Trump manda um tweet a dizer que as crianças filhas de imigrantes devem ser presas, isso é muito mais chocante do que qualquer coisa que se possa passar aqui. Por outro lado, quando um chefe da polícia militar é preso porque andou a roubar armas, é tão insólito que também me pode apetecer trabalhar sobre isso", exemplifica.

Um das ilustrações que está nesta coleção agora distribuída com o DN é a que foi publicada quando da morte de Muhammad Ali, em que o pugilista aparece com duas enormes luvas de boxe que são como balões de BD, ou seja, murros que são como palavras. É também um pouco assim que André Carrilho vê o seu trabalho editorial, como explicou numa entrevista em 2016: "Eu gosto que as pessoas possam pensar, concordar, discordar, reagir de alguma maneira ao desenho. É por isso que gosto de trabalhar sem pressa, para permitir que os desenhos tenham contacto com as pessoas e eu próprio posso inclusive mudar de opinião e achar que para a próxima tenho mais cuidado, ou menos, ou então através das reações reforço a opinião que eu queria transmitir com mais desenhos. É também uma maneira de eu pensar e ter uma visão do mundo."

O traço do ilustrador português de 44 anos é também reconhecido no estrangeiro. Colabora regularmente com publicações internacionais como as revistas Vanity Fair e The New Yorker ou o diário The New York Times, assim como o Independent on Sunday, New Statement ou a Harper"s Magazine.

A lista de prémios que ganhou também está sempre a aumentar. Em julho de 2015, por exemplo, recebeu o Grande Prémio da edição de 2015 do World Press Cartoon com um trabalho publicado na edição de 10 de agosto de 2014 do DN em que expunha e criticava duramente a atenção diferenciada com que a comunicação social tratava a epidemia de ébola em África e os casos de contágio que chegaram à Europa e aos Estados Unidos.

Mas o trabalho de André Carrilho não se limita à imprensa. Recentemente, desenhou uma medalha dedicada ao escritor Luís de Camões para a Coleção Phillae. E no ano passado teve na galeria Abysmo uma exposição a que chamou Atrito, em que mostrava sobretudo paisagens, quase sempre despovoadas, de Londres, Paris, Nova Iorque, Macau, Hong Kong, tal como de Viseu, do Douro, de Óbidos, de Ciudad Rodrigo. Na altura, contava que gosta de chegar a cada lugar, sentar-se numa cadeira de pescador, abrir a caixa de aguarelas (incluindo uma aguarela de grafite da Viarco) e passar pelo menos uma hora a desenhar. Nessa exposição mostrava também alguns desenhos de situações da intimidade familiar que já tinha antes revelado aos amigos mais próximos no Facebook: imagens da gravidez, dos partos e também do quotidiano dos dois filhos.

Exposição Déjà Vu
Andar Nobre do Palácio de São Bento, Lisboa
Até 2 de novembro
Dias úteis 10.00-12.30 e 14.30-17.00 (com exceção dos momentos em que há sessão plenária, ou seja, 4.ª e 5.ª à tarde e 6.ª de manhã)
Entrada gratuita

Datas de saída
14 de outubro Mandela (+ caixa arquivadora)
21 de outubro 9/11 - 15 anos
28 de outubro Mediterrâneo
4 de novembro Tradutor de Clássicos
11 de novembro Wikileaks
18 de novembro Billie Holiday
25 de novembro Lei das Rendas
2 de dezembro Merkel vs. Trump

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