Deputados e tabaqueira juntos para acabar com o fumo

Parlamento britânico juntou-se à Philip Morris para ajudar os 9 milhões de fumadores do país a trocarem os cigarros convencionais por produtos de tabaco menos nocivos.

Os deputados britânicos estão a ponderar rever a proibição que impede que a indústria tabaqueira inclua nos maços tradicionais apelos à mudança dos cigarros para outros produtos que causem menos danos para a saúde, até agora considerados como publicidade e promotores do ato de fumar e, por isso mesmo, proibidos.

O Comité de Ciências e Tecnologia britânico quer mudar aquilo que considera ser uma anomalia regulatória de forma que possa promover-se opções menos nocivas para a saúde dos fumadores. Num relatório recentemente publicado, afirma que os cigarros eletrónicos e aparelhos como o iQos (sem combustão) deviam ser considerados uma opção para ajudar a deixar de fumar. E vai mais longe, defendendo que o próprio serviço de saúde do país devia fornecê-los aos fumadores que querem deixar.

Consciente dos problemas que os fumadores têm e do seu peso no serviço nacional de saúde, depois de uma série de medidas restritivas do fumo, incluindo a proibição de fumar em espaços fechados e públicos, o parlamento britânico tem vindo a olhar com cada vez mais atenção para produtos de tabaco que constituem uma alternativa melhor do que os cigarros tradicionais. Nos estudos científicos que tem promovido, concluiu-se que produtos como o cigarro eletrónico ou o iQos não são propensos a levar os consumidores a começar a fumar nem causam os danos a terceiros dos cigarros tradicionais - não há risco para fumadores passivos porque não há fumo.

A campanha lançada no reino Unido

No Reino Unido há já cerca de 3 milhões de pessoas que passaram do tabaco normal para o cigarro eletrónico, meio milhão das quais usam esses aparelhos como auxiliares para deixarem de fumar. Uma perspetiva que conta com o apoio da Philip Morris. "Apoiamos seriamente a recomendação que permite que os fumadores sejam informados sobre os benefícios de usar produtos de tabaco em alternativa aos cigarros tradicionais", afirmou mesmo esta semana a porta-voz da Philip Morris, Moira Gilchrist, citada pela imprensa britânica.

"O fumo continua a ser um problema de saúde a nível nacional e o governo devia considerar formas inovadoras de reduzir o número de fumadores. Os cigarros eletrónicos são menos nocivos do que os cigarros convencionais e já se percebeu que não levam os não-fumadores a começar a fumar", defendeu também o antigo ministro da Saúde Norman Lamb, hoje chairman do Comité.

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