De Georgina à Save the Children. As reações ao caso Ronaldo

Esta sexta-feira completa-se uma semana desde que uma mulher norte-americana acusou o jogador português de violação. Namorada, clube, selecionador, marcas patrocinadoras e presidente da FPF já reagiram, de formas diferentes

Cristiano Ronaldo está nas bocas do mundo há uma semana e desta vez não é pela quantidade ou pela beleza dos seus golos. Foi na última sexta-feira (28 de setembro) que Kathryn Mayorga, uma mulher norte-americana de 34 anos, veio a público denunciar uma alegada violação que terá sofrido em junho de 2009, em Las Vegas, por parte do internacional português, numa história contada pela revista alemã Der Spiegel, referindo mesmo que Ronaldo terá pago mais de 300 mil euros a Mayorga para que o caso fosse abafado.

Com o passar dos dias, começaram também a surgir as reações ao caso, incluindo a do próprio CR7, esta quarta-feira. "Nego terminantemente as acusações de que sou alvo. Considero a violação um crime abjeto, contrário a tudo aquilo que sou e em que acredito. Não vou alimentar o espetáculo mediático montado por quem se quer promover à minha custa", tweetou o futebolista de 33 anos. "Aguardarei com tranquilidade o resultado de quaisquer investigações e processos, pois nada me pesa na consciência", acrescentou.

Apoio da namorada

Dois dias antes, na segunda-feira, a namorada e mãe da filha mais nova do avançado madeirense, Georgina Rodriguez, mostrou no Instagram que apoia totalmente o agora jogador da Juventus, embora não se tenha referido diretamente ao caso. "Sempre transformas os obstáculos que te colocam no caminho em impulso e força para cresceres e demonstrares o quão és grande. Obrigado por nos fazeres desfrutar em cada jogo. Sempre mais e melhor. Amo-te Cristiano", escreveu, numa legenda a acompanhar uma foto da espanhola no estádio do clube italiano.

Apoio do futebol

Já esta quinta-feira chegaram reações de Portugal, por parte da Federação Portuguesa de Futebol (FPF). "Em meu nome e em nome da Federação Portuguesa de Futebol expresso total solidariedade ao Cristiano Ronaldo, numa altura em que o seu bom nome e reputação estão a ser postos em causa. Acredito nas palavras que ele emitiu ontem [quarta-feira], não só porque defendo a presunção de inocência como princípio basilar de um estado de direito, mas também porque conheço o Ronaldo há muitos anos e sou testemunha do seu bom caráter", frisou o presidente da entidade, Fernando Gomes, em declarações à Lusa.

A mesma visão mostrou o selecionador nacional, Fernando Santos, aquando da divulgação da convocatória para os jogos com a Polónia e a Escócia: "Apoio sempre os meus jogadores e aqui nem é uma questão de solidariedade, acredito no que o jogador disse publicamente, ele considera a violação um ato abjeto e claramente reafirma que está inocente daquilo que é acusado. Conheço bem o Cristiano e acredito plenamente que não cometeria um crime desse tipo."

Também a Juventus esperou até esta quinta-feira para se pronunciar sobre o caso, salientando o "grande profissionalismo e seriedade, apreciado por todos na Juventus" mostrado por Cristiano Ronaldo nos primeiros meses no clube de Turim. "Os eventos alegadamente datados de há cerca de dez anos não mudam esta opinião, partilhada por qualquer pessoa que entrou em contacto com este grande campeão", aditam os transalpinos, através do Twitter.

Patrocinadores cautelosos

Entretanto, algumas das principais marcas que patrocinam o capitão da seleção nacional vieram igualmente a público comentar o caso. À agência noticiosa The Associated Press (AP), a fabricante de material desportivo Nike fez saber que está "profundamente preocupada com as acusações chocantes" ao futebolista e que vai "continuar a acompanhar de perto a situação".

"Estamos a acompanhar de perto a situação, pois esperamos que os atletas e embaixadores da marca se comportem de maneira consistente com os valores da EA", declarou por seu lado a EA Sports, criadora do famoso de futebol FIFA, cuja edição de 2019 tem precisamente o rosto de CR7 na capa.

Já fonte da fundação Save The Children tinha afirmado esta quarta-feira ao The Indpendent que a associação de caridade estava "destroçada pelas notícias" e que está "a trabalhar para obter mais informação".

Ler mais

Exclusivos

Premium

Opinião

'Motu proprio' anti-abusos

1. Muitas vezes me tenho referido aqui, e não só aqui, à tragédia da pedofilia na Igreja. Foram milhares de menores e adultos vulneráveis que foram abusados. Mesmo sabendo que o número de pedófilos é muito superior na família e noutras instituições, a gravidade da situação na Igreja é mais dramática. Por várias razões: as pessoas confiavam na Igreja quase sem condições, o que significa que houve uma traição a essa confiança, e o clero e os religiosos têm responsabilidades especiais. O mais execrável: abusou-se e, a seguir, ameaçou-se as crianças para que mantivessem silêncio, pois, de outro modo, cometiam pecado e até poderiam ir para o inferno. Isto é monstruoso, o cume da perversão. E houve bispos, superiores maiores, cardeais, que encobriram, pois preferiram salvaguardar a instituição Igreja, quando a sua obrigação é proteger as pessoas, mais ainda quando as vítimas são crianças. O Papa Francisco chamou a esta situação "abusos sexuais, de poder e de consciência". Também diz, com razão, que a base é o "clericalismo", julgar-se numa situação de superioridade sagrada e, por isso, intocável. Neste abismo, onde é que está a superioridade do exemplo, a única que é legítimo reclamar?

Premium

Adriano Moreira

A crise política da União Europeia

A Guerra de 1914 surgiu numa data em que a Europa era considerada como a "Europa dominadora", e os povos europeus enfrentaram-se animados por um fervor patriótico que a informação orientava para uma intervenção de curto prazo. Quando o armistício foi assinado, em 11 de novembro de 1918, a guerra tinha provocado mais de dez milhões de mortos, um número pesado de mutilados e doentes, a destruição de meios de combate ruinosos em terra, mar e ar, avaliando-se as despesas militares em 961 mil milhões de francos-ouro, sendo impossível avaliar as destruições causadas nos territórios envolvidos.