Coimbra inaugura "fábrica de tecidos biológicos" para terapias avançadas

Unidade-piloto, criada pela universidade em parceria com farmacêutica da região, está a desenvolver vacinas experimentais para o cancro do pâncreas e do pulmão, que deverão estar prontas para testes em 2021

Com um primeiro projeto já em andamento, cujo objetivo é a criação, até 2021, de duas vacinas para dois cancros muitos agressivos, o do pâncreas e o do pulmão, a Universidade de Coimbra inaugura hoje, às 16.00, uma unidade pioneira de terapia celular: a UpCells.

A unidade-piloto, que está preparada para produzir tecidos biológicos destinados à imunoterapia e à medicina regenerativa, representa um investimento de cerca de um milhão de euros, provenientes de fundos europeus, e em parceria com a farmacêutica Tecnimede.

Primeira unidade-piloto do género criada na região Centro, o laboratório UpCells "tem a capacidade para produzir tecidos biológicos para seis a sete doentes em simultâneo, entre quatro a cinco vezes por ano", como adiantou ao DN Amílcar Falcão, vice-reitor da Universidade de Coimbra, responsável pela área da inovação naquela instituição.

Uma pequena fábrica para a produção de tecidos biológicos

"Esta é a segunda unidade do género criada na Universidade de Coimbra", sublinha o vice-reitor, referindo que a UC "já dispõe de uma outra unidade de produção de radiofármacos para terapias avançadas".

"A instalação foi projetada como uma pequena fábrica para produção de tecidos biológicos com todos os requisitos necessários para a aplicação clínica, uma vez que o nosso objetivo é traduzir os resultados da investigação que fazemos na universidade em novas terapias clínicas", explica Amílcar Falcão.

A parceria com o laboratório farmacêutico é, nesse sentido, uma mais-valia do projeto, segundo o vice-reitor. "A Tecnimede já está no mercado e isso facilitará no futuro a produção de novos medicamentos a partir do trabalho que aqui for desenvolvido", sublinha.

Focados nos cancros do pâncreas e do pulmão

Para já a unidade arranca com um projeto para o desenvolvimento de duas vacinas: uma para o cancro do pâncreas e outra para o cancro do pulmão, cujo trabalho de investigação já decorre há dois anos naquela universidade.

A escolha destas duas doenças oncológicas foi propositada, como explica Amílcar Falcão. "São dois cancros muito agressivos, para os quais não existem atualmente opções terapêuticas, por isso entendemos que devíamos focar-nos neles".

A investigação deverá resultar já no próximo ano em novas patentes, estimando o vice-reitor que as vacinas experimentais possam estar disponíveis "no final de 2020, início de 2021", para "serem depois testadas em doentes dos hospitais de Coimbra".

Instalada no edifício da antiga Faculdade de Medina, no Polo I, a UpCells está aberta a outros projetos, já que a sua missão é facilitar o acesso da comunidade científica e hospitalar da região ao desenvolvimento de produtos celulares passíveis de uso na clínica. "O nosso objetivo é que os projetos aqui desenvolvidos tenham a possibilidade de passar para a aplicação clínica", resume o vice-reitor.

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