Cientistas alertam: quando derreter, o glaciar Thwaites pode fazer o mar subir 80 centímetros

Instituto para a investigação e defesa do planeta, o British Antarctic Survey vai realizar um estudo em parceria com cientistas americanos durante cinco anos, para que um dos maiores glaciares do mundo não derreta

Aos 75 anos, data que será celebrada este mês, o British Antarctic Survey, instituto de investigação para o desenvolvimento do planeta, tem os olhos do mundo postos nele. Isto graças ao estudo que está a efetuar sobre o degelo no glaciar Thwaites, na Antártida Ocidental.

Nathaniel B. Palmer que navegou pelo Estreito de Magalhães e Passagem de Drake - onde o gelo se está a acumular - diz que o glaciar está em risco de colapso e que se começar a derreter o nível do mar poderá aumentar mais até 80 cm.

O estudo em que está envolvido o cientista Nathaniel B. Palmer assenta em três projetos de colaboração internacional entre EUA e Reino Unido que vai durar cinco anos e rondar os 50 milhões de euros. "O TARSAN que envolve oceanografia física e o uso de um submersível autónomo, planadores do mar e ainda sensores. O THOR que envolve a geologia marinha e a geofísica, o projeto no qual sou o principal investigador do Reino Unido. E o GHC que está a determinar as mudanças relativas ao nível do mar perto do glaciar, explicou Palmer.

Segundo Palmer, as viagens já efetuadas pelo submersível correram bem. "Tivemos um teste de sucesso do veículo subaquático autónomo HUGIN antes de sair das águas abrigadas do Estreito de Magalhães", confirmou, acrescentando que "as suas descobertas podem, literalmente, fazer a diferença entre a vida e a morte de milhões de pessoas, que coabitam com o ecossistema na parte mais a sul do globo."

Mas o principal cientista deste estudo é o geofísico marinho BAS, Rob Larter, que foi atualizando a publicação Cambridge Independent, quanto estava a bordo. "Somos quatro a participar nesta investigação que está baseada no BAS. Além de mim, há o geofísico marinho Kelly Hogan e o estudante de doutoramento James Kirkham, que fazem parte da equipa do projeto THOR. Há ainda Mark Barham, da equipa dos oceanos polares da BAS, que está a bordo para recuperar e reimplantar várias amarras oceanográficas na área", explicou Rob Larter.

Rob referiu ainda que "chegaram à plataforma continental do Mar de Amundsen no dia 10 de fevereiro e que logo a seguir as equipas de campo começaram a fazer pequenas viagens para as Ilhas Edward, para ali se instalar uma equipa no terreno e continuarem as investigações.