Cientista português ganha financiamento europeu milionário

Edgar Gomes, do Instituto de Medicina Molecular, integra consórcio que vai receber 10 milhões de euros para estudar as células dos músculos. A ideia é obter novas pistas sobre as doenças que afetam estes tecidos

O investigador Edgar Gomes, do Instituto de Medicina Molecular João Lobo Antunes, da Universidade de Lisboa, é um dos vencedores das bolsas milionárias Synergy do Conselho Europeu de Investigação (ERC, na sigla de língua inglesa).
O cientista português integra um consórcio de três centros de investigação europeus (incluindo o seu, no IMM), que ganhou uma bolsa com o valor de 10 milhões de euros para os próximos seis anos.

A bolsa é uma das 27 Synergy atribuídas este ano pelo ERC a outros tantos consórcios científicos europeus. Com este financiamento, o conselho pretende estimular "colaborações científicas não convencionais" e multidisciplinares na investigação científica na Europa.

Edgar Gomes receberá 3,5 milhões de euros para os próximos seis anos, o mesmo valor que os seus dois outros parceiros, os investigadores Michael Way, do Instituto Francis Crick, no Reino Unido, e Carolyn Moores, do Birkbeck College, da Universidade de Londres, também no Reino Unido.

Em conjunto, os grupos liderados pelos três cientistas vão estudar os processos de desenvolvimento das células dos músculos, a sua estrutura e fisiologia, para perceber como as células musculares se desenvolvem e interagem entre si, e para poderem obter novas pistas sobre as doenças que afetam os músculos

Edgar Gomes, que ganhou em 2014 uma bolsa ERC de Consolidação, no valor de dois milhões de euros, aí para estudar os mecanismos que controlam o posicionamento do núcleo nas células musculares, e Michael Way, já revelaram em estudos anteriores alguns dos processos moleculares fundamentais para o desenvolvimento destas células.

Os dois investigadores descobriram, nomeadamente, o papel crítico que um complexo de moléculas, designado Arp2/3, desempenha para "a dinâmica do esqueleto das células" e a "operação e sustentabilidade do corpo humano", como explica Edgar Gomes, num comunicado do IMM. Os dois cientistas demonstraram que aquele complexo de moléculas tem um papel fundamental no correto desenvolvimento das células que compõem o tecido muscular.

A bolsa Synergy abre agora a oportunidade para prosseguir o trabalho, porque "vai permitir formar uma equipa multidisciplinar", como diz Edgar Gomes. Com o trabalho conjunto, os três centros de investigação vão procurar "perceber como é que o citoesqueleto das células funciona a nível molecular, celular e fisiológico".

Colaboração entre cientistas europeus

Depois de uma fase piloto de atribuição das bolsas Synergy em 2012 e 2013, o ERC decidiu relançá-las este ano com financiamento reforçado. São ao todo 250 milhões de euros para 27 consórcios. O de Edgar Gomes, Michael Way e Carolyn Moores é um deles.

A filosofia destas bolsas, que tal como todas as outras bolsas ERC são atribuídas por concurso, e financiadas pelo programa Horizonte 2020 (o programa-quadro europeu para investigação científica e a inovação tecnológica), é possibilitar que investigadores e centros europeus de excelência possam "juntar conhecimentos, recursos e capacidades complementares, para colaborar sobre problemas na fronteira da ciência", como explica o ERC.

Trata-se, afinal, de proporcionar a oportunidade de "descobertas que poderão melhorar a vida dos europeus", como sublinha, por seu turno, Carlos Moedas, o comissário europeu para investigação, ciência e inovação, que tem a seu cargo o Horizonte 2020

Os 27 consórcios vencedores (de um conjunto de 295 candidaturas) totalizam 88 investigadores coordenadores, provenientes de 63 universidades e centros de investigação, de 17 países europeus.

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