Aumento do nível do mar pode ter "consequências graves"

Os cientistas pensam que os níveis globais do mar poderão subir muito mais do que o previsto, devido à aceleração do derretimento na Gronelândia e Antártida.

Os estudos apontavam para que a subida do nível do mar fosse pouco menos de um metro até 2100. Mas um novo estudo prevê que o nível real poderá ser o dobro desse número. O que a acontecer levará à deslocação de centenas de milhões de pessoas.

A questão do aumento do nível do mar foi uma das questões mais controversas levantadas pelo Painel Intergovernamental sobre as Alterações Climáticas, quando publicou o seu quinto relatório de avaliação em 2013. Esse organismo afirmou, na altura, que o aquecimento global, sem grandes reduções nas emissões, aumentaria o nível do mar para os 52 cm e 98 cm até 2100.

Para tentar hoje obter uma imagem mais clara do que irá acontecer, alguns dos principais investigadores da área realizaram um estudo estruturado, em que fazem previsões baseadas no seu conhecimento e compreensão sobre o que está a acontecer na Gronelândia, a Oeste e Leste da Antártida.

Na opinião destes investigadores, se as emissões se mantiverem na mesma trajetória, os oceanos provavelmente subirão 62 cm e 238 cm até 2100. Isto seria um cenário num mundo que terá aquecido em mais 5ªC, um dos piores cenários para o aquecimento global.

"Para 2100, a contribuição da camada de gelo é muito provável na faixa de 7-178 cm, mas uma vez se adiciona geleiras e calotas de gelo fora das camadas de gelo e expansão térmica dos mare", disse o autor Jonathan Bamber, da Universidade de Bristol.

"Para colocar isso em perspectiva, a crise de refugiados na Síria resultou em cerca de um milhão de refugiados que chegaram à Europa", disse o professor Bamber. "Isso é cerca de 200 vezes menor do que o número de pessoas que seriam deslocadas com um aumento de 2 milhões no nível do mar"

O manto de gelo da Gronelândia continua a ser o maior contribuinte para a subida no nível do mar, mas à medida que as temperaturas vão subindo, as camadas de gelo da Antártida, muito maiores, começam a entrar em ação. "Os especialistas acreditam que há uma probabilidade pequena, mas estatisticamente significativa, de que a Antártida Ocidental faça a transição para um estado muito instável e partes da Antártida Oriental também contribuam", disse o professor Bamber.

Segundo os especialistas, este cenário teria enormes implicações para o planeta. Calculam que o mundo perderia uma área de terra equivalente a 1,79 milhão de quilómetros quadrados, o equivalente ao tamanho da Líbia. Muitas perdas de terra estariam em importantes partes de cultivo de alimentos, como o Delta do Nilo. Mas também grandes áreas como o Bangladesh seriam afetadas e difíceis que ser habitáveis. Outras cidades como Londres, Nova Iorque e Xangai estariam sob ameaça.

"Para colocar isso em perspetiva, a crise de refugiados na Síria resultou em cerca de um milhão de refugiados que chegaram à Europa", disse o professor Bamber. "Isso é cerca de 200 vezes menor do que o número de pessoas que seriam deslocadas com um aumento de 2 milhões no nível do mar."

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