Terra deverá atingir o ponto de não retorno em 2035

Investigadores avisam que o mundo tem que mudar rapidamente para as energias renováveis e alertam que o prazo para impedir que o aquecimento global aumente a temperatura em mais de 1,5ºC já passou

Patrícia Viegas
Rapariga caminha em rua inundada pelas cheias em Felipe Carrillo Puerto, Quintana Roo, no México | foto  EPA/ALONSO CUPUL
Bombeiro combate incêndio durante este verão no Parque Natural Yosemite na Califórnia | foto Reuters
Icebergue de 6,5 Km desprendeu-se de glaciar em junho e ameaça vila de Inaarsuit na Gronelândia | foto Reuters

O planeta Terra está a caminhar rapidamente para um ponto de não retorno, a menos que sejam tomadas medidas urgentes, avisa um grupo de cientistas num estudo publicado, esta quinta-feira, no Earth System Dynamics, publicação da União Europeia das Geociências. Segundo eles esse ponto de não retorno poderá chegar até antes de 2035.

"No nosso estudo mostramos que há prazos estritos para agir. Concluímos que resta muito pouco tempo antes que as metas de Paris se tornem impraticáveis mesmo com as estratégias de redução de emissões", disse Henk Dijkstra, professor da Universidade de Utrecht na Holanda e um dos autores do estudo intitulado "The point of no return for climate action: effects of climate uncertainty and risk tolerance" (ponto de não retorno para uma ação sobre o clima: efeitos da incerteza do clima e riscos da tolerância).

O Acordo de Paris, do qual Donald Trump retirou os EUA, estabelece que se mantenha o aumento da temperatura média global abaixo dos 2ºC em relação aos níveis da era pré-industrial e limitar o aumento de 1,5ºC. Vários outros estudos e vários outros cientistas têm alertado no mesmo sentido de que o tempo urge e que o que está a ser feito não é suficiente nem suficientemente rápido.

Os cientistas envolvidos neste estudo agora publicado calcularam a rapidez com que o mundo teria que abraçar as energias renováveis para conseguir travar os efeitos das alterações climáticas e chegaram à data de 2035. Assim, para evitar o impacto de alterações climáticas que poderiam desencadear catástrofes que deixariam o planeta inabitável, o mundo teria que viver das renováveis.

Ao dar essa data limite, sublinham os investigadores, podem até estar a ser demasiado otimistas.