Sonda New Horizons tira primeiro retrato na fronteira do sistema solar

A imagem, tirada à maior distância de sempre do Sol, mostra Ultima Thule, o misterioso objeto que a sonda da NASA visita a 1 de janeiro de 2019. Será o primeiro rendez-vous de sempre naquela região dos sistema solar

Filomena Naves
A primeira foto "de perto" de Ultima Thule© NASA/JHUAPL/SwRI


A sonda New Horizons, da NASA, que já se encontra muito para lá de Plutão, depois da bombástica visita que ali fez em 2015, acaba de obter a primeira imagem do seu próximo alvo: o Ultima Thule, um misterioso objeto no coração da cintura de Kuyper, na fronteira do sistema solar, com o qual a nave tem o seu próximo encontro marcado, a 1 de Janeiro de 2019.

A quatro meses desse pioneiro rendez-vous - será o primeiro de sempre para uma sonda terrestre naquela região externa, e gelada, do sistema solar - a equipa da missão apontou a câmara telescópica da nave ao alvo e conseguiu obter essa primeira imagem, que passa deter o recorde da foto tirada à maior distância de sempre do Sol.

Fotografado à distância de 160 milhões de quilómetros de distância - aquela a que a sonda ainda se encontra do seu objetivo -, Ultima Thule não passa ainda de um pequeno ponto num mar de estrelas brilhantes em fundo. Mas para os cientistas da New Horizons é um marco.

"Num campo de visão recheado de estrelas brilhantes, o que torna muito difícil encontrar objetos esbatidos, foi como encontrar agulha em palheiro", explica, satisfeito, Hal Weaver, o investigador principal do instrumento que obteve estas primeiras imagens, onde Ultima Thule surge como um pequeno ponto sombreado.
À medida que a nave se for aproximando, no entanto, esse ponto "vai tornar-se cada vez mais brilhante e fácil de observar", sublinha o investigador.

Ultima Thule, localizado a mais de 1,6 mil milhões de quilómetros para lá da órbita de Plutão, é um dos milhares de corpos que orbitam o interior da cintura de Kuyper, e será o primeiro de sempre a receber a atenção de uma nave terrestre.

A New Horizons vai sobrevoá-lo daqui a quatro meses e recolher dados sobre ele, tal como fez com Plutão em Julho de 2015, revelando novos e surpreendentes detalhes sobre o planeta-anão.

Com o Ultima Thule será mais ainda a exploração de uma "Terra Incógnita", e o seu seu nome acaba por refletir bem a aura de mistério que envolve estes objetos na cintura de Kuyper. A expressão era usada na Idade Média para designar tudo o que estava para lá do mundo conhecido, e acaba por assentar na perfeição a este objeto, sobre o qual os astrónomos desconhecem quase tudo - por enquanto. Se tudo correr bem, isso está prestes a mudar.