Respirar ar poluído pode provocar mudanças no coração

Um estudo da Universidade de Londres Queen Mary demonstrou que as alterações foram detetadas em pessoas que vivam em zonas com níveis de poluição abaixo dos permitidos no Reino Unido

Paula Freitas Ferreira
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A exposição regular a níveis de poluição do ar, ainda que muito baixos, pode causar alterações no coração semelhantes às que acontecem nos estágios iniciais de insuficiência cardíaca. Esta foi a conclusão de um estudo realizado no Reino Unido com 4 mil pessoas.

A investigação demonstrou que as pessoas que viviam em zonas mais poluídas - nas proximidades de estradas com muito tráfego - tinham corações maiores do que aquelas que viviam em áreas menos poluídas. O mesmo efeito foi detetado em quem vivia em zonas com níveis de poluição abaixo das diretrizes do país.

A equipa de cientistas, liderada pela Universidade de Londres Queen Mary, analisou os dados de pessoas que não tinham problemas cardíacos subjacentes e que fizeram parte do estudo do Biobank. Foi analisado o tamanho, o peso e a função dos corações, bem como os níveis de poluição das áreas em que viviam.

O estudo concluiu que existe uma clara ligação entre a exposição a níveis mais altos de poluição e a presença de ventrículos maiores, o que acontece em pessoas sedentárias ou que sofrem de pressão arterial elevada.

"A poluição do ar deve ser vista como um fator de risco e que pode causar alterações [no organismo]", disse Nay Aung, que liderou a investigação, citado pela BBC.

"Os médicos e a população têm de estar conscientes da exposição [à poluição} quando pensam sobre saúde cardíaca, tal como acontece sobre com a pressão arterial, o colesterol e o peso", acrescentou.

No entanto, Aung revelou que as mudanças no coração são pequenas e potencialmente reversíveis.

Os locais onde as pessoas que fizeram parte do estudo viviam não foram revelados, mas a grande maioria situava-se longe das principais cidades do Reino Unido. Todos tinham níveis de população muito abaixo dos limites atuais do país, refere ainda o estudo.

As diretrizes, no Reino Unido, são de 25 microgramas por metro cúbico, ainda longe do limite recomendado pela Organização Mundial de Saúde que aconselha que não se ultrapasse as 10 microgramas por metro cúbico.

A poluição por partículas finas - como é o caso - é particularmente perigosa porque pode penetrar profundamente nos pulmões e no sistema cardiovascular.

A exposição ao dióxido de azoto variou entre 10 a 50 microgramas por metro cúbico - os limites do Reino Unido e da OMS são de 40 microgramas por metro cúbico.