Engenharia Aeroespacial destronada e o estranho caso do aluno que ficou sozinho no topo da lista

Com Medicina relegada para o sétimo lugar da lista dos cursos com médias mais altas, a "luta" faz-se nas engenharias. Mas o curso que aparece em primeiro lugar é uma surpresa completa.

Rita Ferreira
O Instituto Superior Técnico lidera na lista dos cursos mais exigentes em termos de notas© Jorge Amaral

A história repete-se de cada vez que chega o documento com as notas das colocações no ensino superior. Seleciona-se a coluna da nota do último colocado, ordena-se do maior para o mais pequeno e em segundos surgem numerados os cursos que exigiram notas de entrada mais altas.

E se há uns anos ninguém se espantava quando via a palavra Medicina repetida, hoje já não é assim. Aliás, o primeiro curso de Medicina a aparecer está na sétima posição, com uma média de 182,2. Há seis cursos que exigem notas mais elevadas e todos da área das engenharias, em Lisboa, no Porto e... na Madeira.

O número um da lista ordenada é o curso de Engenharia Civil (ensino em inglês) da Faculdade de Ciências Exatas e da Engenharia da Madeira, com a nota de entrada do último colocado a ficar nos 189,4 pontos (escala de 0 a 200). Ou seja, uma média de quase 19 (numa escala de 0 a 20). Não se sabe quem é este aluno brilhante que quer ser engenheiro civil e vive na Madeira, mas olhando para os restantes números, constata-se um dado estranho - ele foi o único aluno a concorrer a este curso. Havia 20 vagas disponíveis, ficaram agora 19 em aberto para a segunda fase. Conclusão: o aluno que levou o curso até ao topo da lista das notas de entrada, pode nem ter a oportunidade de ficar a estudar ali.

Olhando para lá deste caso excecional, surgem os habituais candidatos ao topo da tabela. Embora haja outra surpresa em relação ao ano passado. Com uma nota de 189 pontos, é o curso de Engenharia Física e Tecnológica do Instituto Superior Técnico da Universidade de Lisboa aquele que obtém a média de entrada mais elevada. Logo a seguir surge então a Engenharia Aeroespacial, com 188,5, também no Técnico.

Até aparecer o primeiro curso de Medicina há ainda Engenharia e Gestão Industrial na Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, Matemática aplicada e Computação no Técnico e Bioengenharia no Porto novamente.

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São os cursos de Medicina da Universidade do Porto a ocuparem os lugares mais altos da lista dos cursos que exigem médias mais elevadas - no Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar a nota foi de 182,2 (7ª posição); na Faculdade de Medicina a nota do último colocado foi de 181.

A nota mais baixa exigida para a entrada num curso de Medicina foi na Universidade dos Açores onde a nota do último aluno colocado foi de 173,8.

No total, entraram para os nove cursos de Medicina disponíveis em Portugal 1517 alunos, preenchendo todas as vagas disponíveis.

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São 33 os cursos que não registaram qualquer candidatura e mantêm por isso todas as vagas em aberto. A maioria são cursos lecionados em Institutos Politécnicos, havendo apenas duas universidades nestas circunstâncias - o curso de Engenharia Civil na Universidade da Beira Interior e o curso de Arquitetura Paisagista da Universidade de Évora.

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