Cinco milhões para prevenir cheias e tornar cidades mais verdes

Porto, Vila Real, Olhão e São Pedro do Sul são os quatro concelhos contemplados por projetos no valor de cinco milhões de euros. Destes, 3,363 milhões provêm do Fundo Ambiental para adaptação às alterações climáticas

Filomena Naves
Risco de cheias no Vouga vai ser minimizado© Maria João Gala/Global Imagens

Novos sistemas para prevenção e controlo de cheias, requalificação de rios emblemáticos e de frentes ribeirinhas, recuperação de vegetação autóctone e de espaços naturais para atividades de lazer. Eis as apostas dos quatro projetos contemplados com 3,363 milhões de euros do Fundo Ambiental para adaptação às alterações climáticas, na área dos recursos hídricos. Os contratos foram assinados esta sexta-feira com o Ministério do Ambiente e as obras vão decorrer durante o próximo ano e meio.

Os projetos, que abarcam os concelhos de Vila Real, do Porto, de São Pedro do Sul e de Olhão, representam um investimento total de cerca de cinco milhões - para além das verbas do Fundo Ambiental, as ações contarão igualmente com financiamentos próprios, das respetivas autarquias, ou de outros parceiros locais.

O projeto do Porto, que prevê uma intervenção na bacia da ribeira de Asprela e zona envolvente para o controlo das cheias e a criação de um parque verde, representa o maior investimento dos quatro, no valor global de 1,9 milhões de euros, dos quais um milhão é atribuído pelo Fundo Ambiental, ficando o restante "suportado pelos três parceiros locais", que são Universidade do Porto, o Instituto Politécnico do Porto e a empresa municipal Águas", como explicou ao DN a autarquia.

Com a previsão do início das obras no próximo ano e a sua conclusão em 2020, esta intervenção prevê a criação "de uma bacia de retenção, dividida em três sub-bacias", para "tirar partido da topografia, e maximizar o volume de água armazenado", de forma a "encaixar os caudais de cheia afluentes e minorar os efeitos das cheias para jusante", lê-se no projeto.

A par dessa reconfiguração será criado o futuro Parque Central da Asprela, um novo espaço verde com percursos pedonais e cicláveis, acessibilidades para pessoas de mobilidade reduzida, e com a presença de água. A ideia é conseguir "o aumento da biodiversidade florística e faunística" num meio que "é marcadamente urbano".

Em São Pedro do Sul, as ações passam pela modernização do antigo sistema de comportas existentes no rio Vouga, na área daquele concelho, bem como a instalação de um sistema de sensores higrométricos (para medir o caudal) e de medição da qualidade da água. "A ideia é passar a dispor de um sistema de alerta e prevenção de cheias, que permita em tempo útil controlar o caudal do rio, através do novo sistema de comportas, que vai ser automatizado", explicou ao DN Nuno Almeida, o vereador do Ambiente do executivo de São Pedro do Sul.

O projeto, que representa um investimento total de 1,3 milhões de euros, e conta com 996 mil euros do Fundo Ambiental, prevê ainda o desassoreamento do rio, para aumentar a zona de caudal e armazenamento de água, e ainda a recuperação das margens para o usufruto comum.

"As cheias são um risco, sobretudo para a zona mais baixa, onde se situam as termas e outros edifícios públicos, e com este projeto vamos minimizar o problema", sublinha Nuno Almeida. As obras deverão estar concluídas no final do próximo ano.
Já em Olhão, trata-se de requalificar a frente ribeirinha, com um conjunto de obras no valor de 1,444 milhões de euros, dos quais um milhão provém do Fundo Ambiental.

Serão intervencionados os jardins Patrão Joaquim Lopes e Pescador Olhanense, com a diminuição das áreas impermeáveis, para evitar acumulação de águas, a recuperação do coberto arbóreo com espécies de necessidades hídricas reduzidas, que quase não exigem rega, a colocação de bebedouros públicos e a substituição da iluminação pública por lâmpadas LED. Tudo para reduzir ao máximo os consumos de água e de energia.

Em Vila Real, por último, o projeto de cerca de meio milhão de euros, comparticipado em 366 mil pelo fundo ambiental, tem por objetivo a recuperação da zona do Vale do Corgo, com a construção de passadiços e de uma ponte pedonal, além da limpeza e recuperação do local, de forma "a permitir que as pessoas possam usufruir daquele espaço", como explicou ao DN Rui Santos, o presidente da Câmara de Vila Real.

"Estas ações", sublinha o autarca, "integram-se num projeto mais vasto da autarquia, de requalificação de toda aquela área da cidade, que inclui também a musealização da antiga central hidroeléctrica do Biel".

Na cerimónia da assinatura dos contratos, que decorreu em Vila Real, o ministro da Ambiente sublinhou, por seu turno que, além destes quatro projetos, estão atualmente a decorrer no país projetos de adapatação às alterações climáticas que somam um investimento global de 225 milhões de euros.

Neste bolo, 25 milhões de euros são destinados a interveções em espaços urbanos, 120 milhões de euros no litoral, e 80 milhões na reabilitação da rede hidrográfica.