Afinal, a vitamina D não protege contra as demências

Novo estudo feito na Austrália revela que não há evidências científicas que mostrem que a vitamina D tem um efeito protetor contra a esclerose múltipla e as demências

Joana Capucho
A exposição solar é a maior fonte de vitamina D© Arquivo Global Imagens

Há um novo estudo que põe em causa a ideia de que a vitamina D funciona como um agente protetor do cérebro em relação às demências. Investigadores da Universidade de Adelaide, na Austrália, dizem que esta vitamina não protege contra a esclerose múltipla, Parkinson, Alzheimer e outros distúrbios relacionados com o cérebro.

De acordo com o artigo publicado na revista Nutritional Neuroscience, não existem evidências científicas suficientes para dizer que a vitamina D é um agente neurológico protetor.

De um total de 231 artigos selecionados, os investigadores identificaram 73 adequados para revisão, ou seja, trabalhos que investigam o efeito dos níveis de vitamina D, que pode ser produzida através do sol, e da suplementação nas doenças degenerativas.

"O nosso trabalho contraria uma crença defendida em alguns setores, que sugere que os níveis mais altos de vitamina D podem afetar positivamente a saúde do cérebro", diz Krystal Iacopetta, principal autora do estudo, citada pela Science Daily.

Estudos anteriores tinham demonstrado que doentes com doenças neurodegenerativas tendem a ter níveis mais baixos de vitamina D, quando comparados com a população saudável.

Iacopetta lembra que isso fez com que se pensasse que aumentando os níveis de vitamina D, através de uma maior exposição solar ou com suplementação, haveria um impacto positivo.

No entanto, a investigadora revela que a análise da literatura feita sobre o tema demonstra que não há evidências científicas suficientes que apoiem essa ideia, ou seja, que mostrem que esta vitamina protege o cérebro.

Segundo os autores, a teoria de que a vitamina D tinha um efeito protetor ganhou força com base em estudos pré-clínicos e observacionais, e não em evidências clínicas.

Não há relação causal

Nas conclusões pode ler-se que, efetivamente, a exposição solar, independentemente da vitamina D, pode ter um efeito protetor contra a esclerose múltipla, o Parkinson e o Alzheimer. No entanto, são necessários mais estudos para aprofundar esse benefício. Para os autores, não é claro que a vitamina D proteja os indivíduos em relação às doenças neurodegenerativas.