113 pessoas presas por manifestação ambiental. Grupo quer "fechar Londres" até dia 29 de abril

Estradas cortadas, pessoas a acampar na rua, música e cartazes com mensagens ambientalistas por todo o lado. Este é o cenário vivido em Londres nos últimos dois dias.

A luta pelo alerta à população sobre a situação atual do planeta e o apelo ao governo britânico fez com que mais de 100 pessoas fossem presas, em Londres. Depois de uma segunda-feira atribulada, protagonizada por milhares de manifestantes do grupo Extinction Rebellion (ER) a bloquearem diversas estradas de acesso ao centro da capital de Inglaterra, 113 pessoas foram presas durante a madrugada de terça-feira por acamparem na Ponte de Waterloo, na Praça do Parlamente e em Oxford Circus, depois de não respeitarem as ordens das autoridades londrinas em se manterem apenas na zona de Marble Arch .

Cinco dos detidos, três homens e duas mulheres, foram acusados de danos criminais depois de os manifestantes terem vandalizado a sede da Shell, um grupo global de empresas de energia e petróleo. As portas giratórias da empresa foram destruídas e graffitis como "A Shell sabia" e "a Shell sabe" foram pintados na entrada do prédio.

Desde segunda-feira que os manifestantes têm perturbado a circulação normal em Londres. A Praça do Parlamento, encheu-se de pessoas que através de cartazes e discursos exigiam mudança e ação por parte do governo britânico. A ponte de Waterloo foi bloqueada em ambas as direções e decorada com plantas e vasos de plantas, como se fosse um jardim. Um barco cor-de-rosa, chamado Berta Cáceres, em homenagem à ativista hondurenha assassinada em 2016, foi estacionado no centro de Oxford Circus, e palco de vários discursos e concertos.

Apesar das detenções, cerca de 600 pessoas encontravam-se na ponte às 8h30 de terça-feira, de acordo com a BBC. Vários dos ativistas ambientais colaram o seu corpo a um camião estacionado na ponte de modo a impedir a polícia de os retirar. Ben Moss, um dos homens colados ao camião é o diretor da empresa Bristol e disse ao The Guardian estar desde a meia-noite na ponte Waterloo e justifica a sua atitude dizendo que "tempos drásticos exigem medidas drásticas". Moss afirma estar a lutar pelas gerações futuras e que apesar de "lamentar pelo inconveniente" mas que o inconveniente futuro, caso não sejam tomadas medidas será "muito, muito pior".

Muitos dos turistas e membros da população criticam a luta dos ativistas devido à perturbação sentida na cidade. Karen Buckingam apela ao fim da manifestação na sua conta de Twitter. "Isto não deveria ser permitido nas estradas de Londres. Tanta confusão, eu sei que é o objetivo mas chega " escreveu. Peter Newport escreveu esta madrugada que "este é mais um dia de interrupções em que é impossível apanhar um autocarro para o centro de Londres". Newport afirma concordar com a liberdade de expressão mas diz que a manifestação o impede de trabalhar e que isso lhe está a custar dinheiro.

Os protestos fazem parte de uma campanha global organizada pelo grupo britânico, Extinction Rebellion, que se irá manifestar em mais de 80 cidades nos próximos dias. As exigências do ER é que até 2025 as emissões de carbono sejam reduzidas a nível zero em Inglaterra e que seja formada uma assembleia para elaborar um plano de emergência que combata a quebra do clima e a perda da biodiversidade atual.

Roger Hallam, um dos líderes do movimento, aplaudiu na passada segunda-feira as atitudes dos manifestantes e diminuiu o poder das autoridades policiais. "Não podem fazer isto, não podem fazer aquilo, tem de acabar com isso. De repente, o que a Rebelião da Extinção fez foi dizer estamos a fazer isso. E o Estado é tão fraco através da austeridade que não nos consegue impedir", citando o The Guardian.

O grupo não agiu sem mostrar ao governo os seus ideais e as consequências que a cidade iria sofrer caso o governo não os ouvisse. Numa carta enviada a Theresa May, o grupo afirma que "as pessoas já estão a morrer" e fala de várias comunidades indígenas que estão à beira da extinção. "Primeira-ministra, não pode continuar a ignorar esta crise. Temos que agir agora", apelam.

O governo mostra compartilhar a "paixão das pessoas" em querer combater as mudanças climáticas. De acordo com o Departamento de Negócios Energia e Estratégia Industrial, o Reino Unido reduziu as emissões em 44% desde 1990. "Pedimos aos nossos especialistas em clima independente que nos aconselhem sobre uma meta de emissões zero e na definição de planos para fazer a transição para os veículos de baixa emissão e reduzir significativamente a poluição por meio da nossa Estratégia de Ar Limpo", disse um porta-voz à BBC.

O segundo dia de ação incluirá discursos na Praça do Parlamento em que se vai abordar medidas para lidar com a mudança climática. A Transport for London alertou a população que costuma utilizar autocarros de que as rotas iriam ser alteradas devido às manifestações e que as ligações poderiam terminar mais cedo. O objetivo do ER é fechar Londres até dia 29 de abril e manter as perturbações diárias sem recorrer à violência, mas que perturbe a sociedade para criar o impacto que as formas convencionais de sensibilização não conseguiram ter.

A manifestação do movimento "Extinction Rebellion" ocorreu também na capital alemã de Berlim e reuniu cerca de 300 manifestantes, na passada segunda-feira. Em frente ao parlamento alemão, conhecido por Reichstag a população denunciou a incapacidade dos políticos em lidar com a mudança climática.

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