Hígia. É este o planeta anão mais pequeno do sistema solar

Hígia é um congénere de Ceres e de outros corpos idênticos na cintura de asteroides do sistema solar e cumpre os critérios para ser considerado um planeta anão. Com uma particularidade: é o mais pequeno de todos

Com os seus 950 quilómetros de diâmetro, Ceres era até agora o mais pequeno dos planetas anões. Mas já não é. Ceres foi destronado por Hígia, um pequeno corpo com apenas 430 quilómetros de diâmetro que acaba de ser promovido de astroide a planeta anão e que assim se torna no mais pequeno destes corpos no sistema solar.

O estudo é publicado esta segunda-feira na Nature Astronomy.

A confirmação da nova identidade de Hígia foi possível graças às observações feitas por uma equipa internacional de astrónomos que usaram o sistema de captação de imagens SPHERE instalado no telescópio VLT do ESO (European Southern Observatory), no deserto de Atacama, no Chile, para fazerem a mais detalhada observação de sempre de Hígia.

Os astrónomos estavam à procura de poder cartografar uma suposta grande cratera que existiria em Hígia, em resultado de uma enorme colisão ocorrida naquela região do sistema solar (entre Marte e Júpiter) há cerca de dois mil milhões de anos. Para sua surpresa não encontraram a esperada cratera na superfície de Hígia, mas essa não foi a única novidade revelada pelas observações com o SPHERE.

Os dados recolhidos pelos astrónomos permitiram verificar também que Hígia, apesar da sua pequena dimensão, cumpre os três critérios para ser considerado, não apenas um asteroide, mas um planeta anão.

A saber: Hígia orbita o Sol, não é satélite de nenhum planeta e a sua forma esférica, agora determinada, mostra que tem a massa suficiente para isso seja assim.

Ou seja, o companheiro de Ceres e de outros dois congéneres na cintura de astroides que já gozam desse estatuto - Vesta e Pallas - "pôde ser reclassificado como planeta anão, até agora o mais pequeno do sistema solar", como afirma o investigador principal da equipa que fez o estudo, Pierre Vernazza, do Laboratório de Astrofísica de Marselha, em Franca, , citado num comunicado do ESO.

Sobre a ausência de uma grande cratera na superfície de Hígia, Vernazza admite que isso causou espanto à equipa. "Este resultado revelou-se bastante surpreendente, já que esperávamos ver uma enorme cratera de impacto, como é o caso de Vesta". Então os cientistas decidiram investigar a questão em mais detalhe e, recorrendo a modelos computacionais e numéricos, chegaram a algumas conclusões.

O esférico Hígia e a garnde família de asteroides a que pertence naquela região do sistema solar são muito provalemnete provavelmente o resultado de uma gigantesca colisão com um corpo que teria um diâmetro entre 75 e 150 km.

As simulações realizadas pelos investigadores apontam para que o impacto violento, que terá ocorrido há cerca de 2 mil milhões de anos, despedaçou completamente o astro progenitor. Hígia é o resultado da amálgama de vários pedaços que voltaram a juntar-se na forma esférica que é sua e a de milhares de asteroides naquela zona do espaço.

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