Google faz homenagem a engenheira romena pioneira

Esteve vários passos à frente no seu tempo - foi das primeiras engenheiras do mundo. Destacou-se no estudo da geologia da Roménia, onde nasceu. A Google presta-lhe homenagem

Elisa Leonida Zamfirescu faria este sábado 131 anos se fosse viva. E a Google decidiu homenageá-la com o doodle do dia. Porque esta romana foi uma pioneira no seu tempo - foi uma das primeiras mulheres engenheiras em todo o mundo.

Tinha dez irmãos e, tal como ela, alguns ficaram célebres em diferentes domínios, desde a engenharia, à escultura, ao cinema e à medicina: o irmão Dimitrie Leonida fundou em 1909 em Bucareste o museu técnico da Roménia que ostenta o seu nome e Gheorghe Leonida, escultor, fez a cabeça do Cristo Redentor do Rio de Janeiro.

A arte de Zamfirescu revelou-se outra: a engenharia e o estudo dos minerais. Morreu aos 86 anos, não sem antes conquistar um lugar de destaque num setor tradicionalmente ocupado por homens ao liderar laboratórios de geologia.

Antes disso foi rejeitada na primeira escola que escolheu, simplesmente porque era do sexo feminino - depois do bacharelato Elisa Zamfirescu queria ingressar na Escola de Pontes e Estradas de Bucareste, mas viu-se obrigada a estudar na Universidade Técnica Real de Charlottenburg, hoje conhecida como Universidade Técnica de Berlim, onde se formou em engenharia mecânica. Mesmo assim, houve quem fizesse questão de a informar que as mulheres têm outro tipo de vocações.

Ao obter o diploma em 1912, tornou-se uma das primeiras mulheres engenheiras. Deu-se ao luxo de recusar o convite de trabalho da BASF (grupo de empresas químicas alemão e um dos maiores do mundo). Foi então trabalhar no Instituto Geológico de Bucareste, como chefe de laboratório. Ao longo da sua vida profissional, estudou a fundo os recursos geológicos da Roménia.

Casou-se em 1918 com Constantin Zamfirescu, também engenheiro, e tiveram dois filhos.

Apaixonada pelo seu trabalho, cedo implementou novos métodos e novas técnicas de análise no estudo dos minerais e substâncias, como o carvão e petróleo. Ainda hoje é recordada como uma mulher que dedicava a vida à profissão, permanecendo no laboratório desde de manhã até altas horas da noite. Trabalhou até à idade da reforma, mas até aos 75 anos permaneceu ligada à sua paixão.

Além do trabalho desenvolvido como engenheira química, Elisa destacou-se igualmente na luta contra o desarmamento - enquanto presidente do Comité para a Paz do seu instituto participou no Comité do Desarmamento de Lancaster House em Londres.

Durante a Primeira Guerra Mundial, recorde-se, trabalhou para a Cruz Vermelha a gerir um hospital na pequena cidade de Marasesti, palco da grande batalha entre a Roménia e a Alemanha, em 1917.

O seu país natal não esqueceu a sua importância e homenageou-a com mais do que pôr o seu nome na placa da rua onde nasceu - criou em 1997 o Prémio Elisa Leonida Zamfirescu, destinado a premiar as mulheres que se distinguem nas áreas da ciência e da tecnologia.

Exclusivos

Premium

Nuno Severiano Teixeira

"O soldado Milhões é um símbolo da capacidade heroica" portuguesa

Entrevista a Nuno Severiano Teixeira, professor catedrático na Universidade Nova de Lisboa e antigo ministro da Defesa. O autor de The Portuguese at War, um livro agora editado exclusivamente em Inglaterra a pedido da Sussex Academic Press, fala da história militar do país e da evolução tremenda das nossas Forças Armadas desde a chegada da democracia.

Premium

Ferreira Fernandes

A angústia de um espanhol no momento do referendo

Fernando Rosales, vou começar a inventá-lo, nasceu em Saucelle, numa margem do rio Douro. Se fosse na outra, seria português. Assim, é espanhol. Prossigo a invenção, verdadeira: era garoto, os seus pais levaram-no de férias a Barcelona. Foram ver um parque. Logo ficou com um daqueles nomes que se transformam no trenó Rosebud das nossas vidas: Parque Güell. Na verdade, saberia só mais tarde, era Barcelona, toda ela.

Premium

Maria Antónia de Almeida Santos

Dos pobres também reza a história

Já era tempo de a humanidade começar a atuar sem ideias preconcebidas sobre como erradicar a pobreza. A atribuição do Prémio Nobel da Economia esta semana a Esther Duflo, ao seu marido Abhijit Vinaayak Banerjee e a Michael Kremer, pela sua abordagem para reduzir a pobreza global, parece indicar que estamos finalmente nesse caminho. Logo à partida, esta escolha reforça a noção de que a pobreza é mesmo um problema global e que deve ser assumido como tal. Em seguida, ilustra a validade do experimentalismo na abordagem que se quer cada vez mais científica às questões económico-sociais. Por último, pela análise que os laureados têm feito de questões específicas e precisas, temos a demonstração da importância das políticas económico-financeiras orientadas para as pessoas.