Foto mostra degelo dramático na Gronelândia

Uma equipa de cientistas em missão no noroeste da Gronelândia deparou-se com uma camada de água sobre o gelo quando fazia uma viagem para recuperar equipamento que tinha colocado antes no terreno.

A imagem é surreal e diz quase tudo. Os cães que puxam o trenó parecem caminhar sobre uma toalha azul de água e, na prática, é exatamente isso que está ali a acontecer.

Na viagem de regresso a um local remoto onde tinham deixado equipamento de medição, os cientistas do Centro para o Oceano e o Gelo, da estação meteorológica dinamarquesa na região, depararam-se com uma camada de água sobre o gelo, que lhes dificultou a marcha e tornou a sua jornada perigosa.

Steffen Olsen, um dos cientistas da missão, colocou-a no Twitter, depois de a sua equipa ter tirado a foto a 13 de junho, quando estava a atravessar a zona do fiorde Inglefield Bredning,

Os cientistas explicaram que o gelo tem ali uma espessura de 1,2 metros, mas que as temperaturas altas que nesta altura se fazem sentir na região deram origem à situação, com o gelo a derreter e abrir fissuras.

O autor da foto explicou que aquele é o resultado de um dia anormalmente quente e que a equipa se está apoiar no conhecimento do terreno dos caçadores locais para "navegar" naquele território alagado e potencialmente perigoso.

Com as alterações climáticas em curso, o Ártico regista um ritmo de aquecimento das temperaturas duas vezes superior ao resto do planeta.

Em 2018, a temperatura no Ártico esteve 1,7 graus Celsius mais elevada do que a média dos últimos 30 anos. O recorde absoluto das temperaturas no Ártico - pelo menos até agora - registou-se em 2016, mas os cinco anos mais recentes foram os mais quentes desde que há registos.

Com o gelo oceânico na região a diminuir a olhos vistos a cada novo verão, o Ártico está a viver uma transição rápida que não tem precedentes na história humana.

Desde 1979, ano que se iniciaram as medições com satélites, a camada de gelo oceânica no Ártico já perdeu, na estação estival, 40% da sua superfície, e 70% do seu volume, o que significa que, agora, menos de metade do gelo que ali resta ainda é muito antigo.

A cada novo inverso, volta a formar-se nova camada de gelo, mas como é menos espesso e mais vulnerável, volta a sofrer maior redução no verão seguinte. E, liberto de parte dessa superfície branca gelada, que reflete a radiação solar, o oceano absorve mais calor, reforçando o aquecimento em curso.

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