Fenprof acusa governo de "cobardia" ao declarar "guerra fria" sob anonimato

Declarações de fonte governamental, avisando que docentes arriscam ficar sem qualquer progressão na carreira, recebem como resposta a promessa de luta sem tréguas em ano eleitoral

O secretário-geral da Federação Nacional dos Professores (Fenprof), Mário Nogueira, acusa o governo de cobardia. Em causa estão declarações de uma fonte governamental não identificada, publicadas hoje pelo jornal Público, avisando que a decisão do parlamento de impor o regresso das negociações sobre as carreiras não alterou "coisa nenhuma", não obriga a tutela a devolver aos docentes os nove anos, quatro meses e dois dias de tempo congelado, e que os professores arriscam mesmo não ver devolvido qualquer tempo de serviço no próximo ano.

"Comento, apesar de estar a comentar uma declaração anónima e portanto de um cobarde", começou por dizer ao DN Mário Nogueira. "O governo já declarou guerra aos professores a 4 de outubro, véspera do Dia Mundial do Professor [quando aprovou um decreto-lei devolvendo dois anos, oito meses e 18 dias de serviço], e agora está a demonstrar que, além da guerra da perda de direitos, também opta pela guerra fria".

Uma "guerra" que, avisou o sindicalista, os professores estão preparados para enfrentar: "Não estou nada preocupado. Quem deve estar preocupado com este problema é o governo e o Partido Socialista porque se querem entrar em ano eleitoral, em 2019, com uma guerra com os professores, vão ter uma guerra com os professores até ao fim de 2019".

Nas declarações citadas pelo Público, a fonte governamental avisou que se Marcelo Rebelo de Sousa vetar o decreto-lei contemplando o tempo de serviço que o governo estava disposto a devolver, estes não terão a garantia de qualquer progressão na carreira, já que o Parlamento - que chumbou uma proposta do PCP contemplando a totalidade do tempo de serviço - apenas impôs a negociação. E acrescentou que o orçamento não contempla sequer quaisquer verbas para além dos dois anos, nove meses e 18 dias.

Mas Nogueira considerou, "sem querer interferir na decisão do senhor Presidente da República", que Marcelo terá "poucas probabilidades para além do veto", sobretudo tendo em conta que a Madeira e os Açores - cujos parlamentos se pronunciaram de forma negativa sobre o diploma do governo - já aprovaram a devolução de todo o tempo de serviço aos docentes sob a sua jurisdição, pelo que, disse, se poderia estar perante um tratamento desigual dentro da mesma classe profissional. E insistiu que cabe ao governo encontrar a solução. Se não o fizer, avisou, "vamos imediatamente para a rua. Desta vez para a porta do senhor primeiro-ministro, porque já se percebeu que o ministro da Educação não conta para esta equação. Estamos absolutamente descansados", resumiu. "O governo descansa em cima da sua prepotência e os professores confiam na sua luta".

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