Estudantes (e não só) voltam à rua pelo clima e com novas reivindicações

Pelo menos 25 localidades portuguesas já confirmaram presença na semana de mobilização internacional pelo clima, que culminará numa greve global a 27 de setembro. "Ainda nada de significativo foi feito", diz uma das porta-vozes da iniciativa em Portugal.

A primeira greve, em março, foi estudantil e levou cerca de 20 mil jovens às ruas. Em maio, a dois dias das eleições europeias, o protesto repetiu-se, ao longo de mais de 50 localidades portuguesas e cem países no mundo. Foi a adolescente sueca Greta Thunberg, de 16 anos, quem lançou o desafio ao mundo, fazendo frente a políticos mundiais em prol da luta contra as alterações climáticas. Portugal não ficou indiferente e volta agora a integrar o movimento global: entre 20 e 27 de setembro, é um dos países participantes da Semana Global pelo Clima. Mas, desta vez, a luta "já não é só dos estudantes, é de todos", explica uma das porta-vozes do movimento, Alice Vale de Gato, de 17 anos.

Em Portugal, arranca com uma vigília em várias cidades, como Porto e Lisboa, nesta sexta-feira. "Mas em muitas delas será feita durante o decorrer da semana", diz a jovem ativista. Em Lisboa, começará às 20.00, no Príncipe Real, de onde irão partir numa marcha noturna, com lanternas, até à Assembleia da República. "Lá, iremos encontrar debates e conversas com diversos coletivos que têm lutas que se assemelham com a nossa e que subscrevem o nosso manifesto, como a Rede 8 de Março (movimento feminista). Também vamos ter os Mídia Ninja a falar da importância da comunicação social no combate às alterações climáticas e pessoas de uma escola de moda que vão falar sobre moda sustentável. Vamos ainda ter música e até yoga, de manhã."

Pelo menos 25 localidades, de uma ponta à outra do país, já aderiram à Semana pelo Clima. Durante sete dias, vão albergar diversas ações de intervenção, em parceria com organizações ambientais - como é exemplo o Extinction Rebellion e o Climáximo - e câmaras municipais. Em Portugal e em todos os países participantes da iniciativa, está previsto o que designaram de Cineclima, um conjunto de cerca de 40 sessões de cinema, com transmissão de filmes sobre questões ambientais, em várias lojas Fnac, escolas e outros espaços, seguido de debates.

A semana culmina com uma greve climática, no dia 27 de setembro, na qual Alice espera "mais pessoas" em relação às anteriores. "Não é certo, até porque as aulas começaram agora. Mas penso que as pessoas se sentem mais motivadas para ir a esta greve, porque já não é só para estudantes", ao contrário das anteriores, aponta.

Mesma luta, novas reivindicações

Desta vez, o mote dos protestos "é mais abrangente", devido à envolvência de mais de 50 organizações na greve. "Temos mais reivindicações e mais detalhadas do que tínhamos nas últimas greves", com enfoque nos desafios locais, nomeadamente "sobre reflorestação, agroeconomia, comércio justo e circular, gratuitidade de transportes públicos, entre outras", começa por explicar uma das porta-vozes do movimento a nível nacional, Alice Vale de Gato.

"Tudo o resto continua a ser reivindicado, como a proibição de novas construções com grandes portes ambientais (por exemplo, o aeroporto do Montijo) e da importação de gás natural e outros combustíveis fósseis para o país", acrescenta. Os diversos pontos de luta surgem assinados num manifesto apresentado na página oficial da greve climática. Um documento que frisa como objetivo primordial uma "transição justa que garanta a neutralidade de carbono em Portugal até ao ano de 2030".

É a terceira vez que Alice sai à rua pelo clima, acompanhada de milhares de jovens ativistas. Feitas as contas do que resultou das anteriores manifestações, a jovem admite que "tem havido muito mais atenção mediática" e que, finalmente, "o ambiente está nas agendas de todos os partidos políticos". Mas, na prática, "não está a ser feito o suficiente". Diz, aliás, que "ainda nada de significativo foi feito".

A iniciativa lançada pela jovem sueca Greta Thunberg ficou conhecida como Fridays for Future (ou, em tradução livre, Sextas-Feiras pelo Futuro). Um pouco por todo o mundo, vários jovens saem às ruas para denunciar a inércia dos políticos nacionais e internacionais perante as alterações climáticas. "Eu não quero a vossa esperança. Eu não quero que sejam esperançosos. Eu quero que vocês entrem em pânico", disse Greta, perante líderes mundiais reunidos em Davos, no Fórum Económico Mundial, em janeiro deste ano. E alertou: "Resolver a crise climática é o maior e mais complexo desafio que o Homo sapiens já enfrentou. A principal solução, no entanto, é tão simples que até uma criança pequena pode entendê-la. Temos de parar com as emissões de gases com efeito estufa."