Egito protesta contra leilão de peça com rosto de Tutankhamon

As autoridades egípcias voltaram a lamentar quarta-feira a apresentação em leilão de um rosto esculpido do faraó Tutankhamon, na quarta-feira, pela leiloeira Christie's, apesar das repetidas solicitações de anulação pelo Cairo.

Em comunicado, os ministérios egípcios dos Negócios Estrangeiros e das Antiguidades afirmaram que um primeiro leilão de peças egípcias foi realizado na quarta-feira, pela Christie's, apesar "das legítimas solicitações egípcias nas últimas semanas", relativas em particular à obtenção de certificados de aquisição das obras.

Esta venda está "em contradição com os acordos internacionais e as convenções", detalharam em comunicado. "Até agora, a leiloeira não apresentou os documentos às autoridades egípcias", acrescentaram.

"A embaixada (do Egito no Reino Unido) está desolada que a leiloeira pretenda conduzir uma nova venda amanhã [esta quinta-feira] com artefactos egípcios, entre os quais a cabeça de Tutankhamon, sem garantir (a obtenção de) os papéis" necessários à venda, acrescentaram no comunicado.

Esta cabeça em quartzito castanho, com mais de três mil anos e uma altura de 28,5 centímetros, tem um valor estimado em mais de quatro milhões de libras esterlinas (4,5 milhões de euros). Ela representa o deus Amon sob os traços do faraó Tutankhamon, "uma forma de colocar o soberano ao mesmo nível dos deuses", segundo a Christie's.

Uma porta-voz da Christie's afirmou à AFP que a leiloeira não coloca à venda "qualquer objeto cuja propriedade ou exportação levantasse questões". Adiantou que a embaixada do Egito tinha sido avisada previamente da venda.

O lote proposto a leilão foi adquirido em 1985 a Heinz Herzer, um comerciante de arte, baseado em Munique, na Alemanha. Antes, esteve nas mãos de Joseph Messina, um austríaco que o adquirira em 1973 ou 1974 ao príncipe Wilhelm von Thurn und Taxis, o qual o possuía desde, parece, os anos 1960.

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