Dois cardeais pedem fim da "praga da agenda homossexual"

Numa carta aberta divulgada hoje, os cardeais Burke e Brandmüller criticam o Papa Francisco e afirmam que os casos de abuso sexual de padres não resultam de redes de poder clericais e sim de uma "agenda" que influencia a Igreja Católica

São dois cardeais conhecidos, e conservadores. O norte-americano Raymond Burke e o alemão Walter Brandmüller assinam, ambos, uma "carta aberta" que visa dar uma explicação diferente para um dos problemas que mais afetam a imagem da Igreja Católica: os casos de abuso sexual praticados por padres que, em todo o mundo, vão sendo conhecidos.

Esta carta é conhecida agora, na véspera de um encontro, que juntará no Vaticano os líderes das conferências episcopais de 130 países. A reunião, convocada pelo Papa, tem precisamente como tema a resposta ao escândalo dos crimes sexuais cometidos por membros do clero.

Na carta que divulgaram, e que representa uma pouco habitual crítica pública de cardeais ao Papa, Burke e Brandmüller tentam reverter a responsabilidade da Igreja pelos crimes. "A praga da agenda homossexual espalhou-se dentro da Igreja, promovida por redes organizadas e protegida por um clima de cumplicidade e uma conspiração de silêncio."

Noutra passagem, os dois cardeais acusam: "O abuso sexual é atribuído ao clericalismo. Mas a primeira e principal falta do clero não reside no abuso de poder, mas em se afastar da verdade do Evangelho." "A negação até mesmo pública, por palavras e por atos, da lei divina e natural, está na raiz do mal que corrompe certos círculos na Igreja."

Esta carta, inesperada, representa uma dificuldade acrescida para a cimeira que o Papa convocou para quinta-feira. E pode significar que os opositores a Francisco se sentem confortáveis para exibir em público as suas críticas.

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