Doença de Parkinson terá origem no intestino

A aglutinação incorreta de uma proteína chamada alfa-sinucleína estará ligada a danos nas células nervosas, à deterioração do sistema de dopamina e ao desenvolvimento de problemas de movimento e fala - as três características da doença de Parkinson.

A evidência de que a doença de Parkinson pode começar no intestino está a aumentar. De acordo com uma nova pesquisa, as proteínas que se acredita terem um papel importante na doença podem espalhar-se do trato gastrointestinal para o cérebro.

O corpo humano fabrica naturalmente uma proteína chamada alfa-sinucleína, que se encontra, entre outros lugares, no cérebro, nas terminações das células nervosas. No entanto, a aglutinação incorreta dessas proteínas estará ligada a danos nas células nervosas, à deterioração do sistema de dopamina e ao desenvolvimento de problemas de movimento e de fala - as três características da doença de Parkinson.

Ted Dawson, professor de neurologia da faculdade de medicina da Universidade Johns Hopkins (Estados Unidos) e coautor da pesquisa, notou que, tal como defendia uma antiga teoria, a alfa-sinucleína anormalmente duplicada pode começar no intestino e depois chegar ao cérebro por meio do nervo vago. Esse feixe de fibras que parte do tronco cerebral leva e traz sinais de muitos órgãos do corpo, intestino incluído.

Segundo a pesquisa, a forma como a proteína mal duplicada se espalha nos cérebros dos ratos espelha de perto como a doença se comporta em humanos. "[O estudo] apoia e realmente fornece a primeira evidência experimental de que a doença de Parkinson pode começar no intestino e subir o nervo vago", afirma Dawson, revelando que um possível tratamento estará na correção do mau desenvolvimento da alfa-sinucleína no intestino.

O estudo surge meses depois de um grupo diferente de pesquisadores ter revelado que as pessoas cujo apêndice foi removido cedo tiveram um risco reduzido de desenvolver mais tarde a doença de Parkinson - uma descoberta que especialistas afirmam que também apoia a ideia de que a doença pode começar no intestino.

Mas fica ainda por responder porque algumas pessoas têm aglomerados da proteína anormal no cérebro sem sintoma da doença de Parkinson.

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