Covid transmite-se pelo ar, indica experiência com furões

Furões afastados 10 centímetros de outros infectados ficaram contagiados.

Uma experiência de um grupo de cientistas do Departamento de Virologia do Centro Médico da Universidade Erasmus e do Laboratório de Ciência Animal do mesmo centro em Roterdão, Países Baixos, foi ao encontro da carta aberta subscrita por 239 cientistas à Organização Mundial de Saúde (OMS) após o resultado de uma experiência realizada com furões, e relatada na revista especializada Nature.

"Este estudo fornece elementos comprovativos da forte transmissão de SARS-CoV-2 através do ar, do que reforça a aplicação de medidas de distanciamento social a nível comunitário hoje em dia em vigor em muitos países do mundo e informando as decisões sobre medidas de controlo de infecções em ambientes de cuidados de saúde", escrevem os autores da experiência.

As provas deste trabalho surgem pouco depois de a OMS se ter concentrado na possível transmissão aérea do coronavírus após um aumento dos novos casos após as medidas de confinamento terem sido levantadas.

Na experiência em questão, vários furões foram contaminados através das fossas nasais com uma amostra de SARS-CoV-2 de um turista alemão que testou positivo para o coronavírus após uma viagem à China.

Seis horas após a exposição ao vírus, os cientistas colocaram os furões em jaulas ao lado de outro furão que não estava infectado. No dia seguinte, numa gaiola adjacente separada por 10 centímetros, introduziram outro furão que também não tinha sido exposto à estirpe.

Cada gaiola foi equipada com uma grelha que permitia a passagem de ar para limitar a possibilidade de transmissão do vírus apenas à transmissão por via aérea.

Os resultados da experiência demonstraram que os animais que tinham estado numa gaiola separada, mas que tinham respirado o mesmo ar, também tinham ficado infetados. "O padrão de disseminação do vírus foi semelhante", lê-se.

Enquanto o estudo procura mostrar se a transmissão por via aérea é possível, este grupo de cientistas salienta que o seu trabalho não pode esclarecer como é que o contágio aconteceu, se por aerossóis, se por gotículas ou ambos, "porque o furão infectado e o furão que teve contacto indireto estavam em gaiolas separadas", explicam.

"Neste estudo fornecemos a primeira prova experimental de que a SARS-CoV-2 pode ser transmitida através do ar entre furões, como um modelo de transmissão de humano para humano", concluem .

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