Alzheimer: cientistas descobrem nova estratégia de combate à doença

Um grupo de cientistas da Universidade de Cambridge anunciou a descoberta de uma nova estratégia de combate às partículas tóxicas responsáveis pela destruição das células cerebrais nos doentes de Alzheimer, segundo um estudo publicado hoje pela revista PNAS.

"É a primeira vez que se propõe um método sistemático para atacar os patógenos, a causa da doença de Alzheimer, que foram identificados recentemente como pequenos grupos de proteínas conhecidas como oligómeros", explicou o investigador principal, Michele Vendruscolo, do estudo agora publicado na revista PNAS ( Proceedings of the National Academy of Sciences).

A descoberta, segundo os especialistas, abre a porta ao desenvolvimento de novos medicamentos para tratar a doença de Alzheimer, que afeta cerca de 44 milhões de pessoas em todo o mundo. Em Portugal, estima-se que mais de 200 mil pessoas sofram da doença, de acordo com o último relatório da OCDE, publicado em novembro do ano passado. Um número que poderá passar para os 322 mil casos até 2037, refere o mesmo documento. No topo da tabela encontra-se o Japão com 23.3 casos por mil habitantes, seguindo-se Itália, Alemanha e Portugal, com 19.9 por mil habitantes, França, Grécia e Espanha.

Após a descoberta de agora os cientistas acreditam que os medicamentos baseados nesta nova estratégia possam começar a entrar em testes clínicos dentro de dois anos.

Segundo o estudo, as proteínas são normalmente responsáveis por processos celulares importantes, mas, nos doentes de Alzheimer, estas proteínas tornam-se "rebeldes", formam grupos e matam as células nervosas saudáveis. Em regra, as proteínas precisam de ligar-se numa estrutura específica para funcionar corretamente e quando este processo falha, a célula apresenta "um grave problema de ligamento", formando grupos anormais de células e depósitos perigosos de proteínas.

O investigador principal explicou que o cérebro perde capacidade para se desfazer desses depósitos perigosos ao envelhecer, o que provoca doenças como a demência.

O diretor científico do Centro de Investigação de Alzheimer, no Reino Unido, David Reynolds, considerou que estudos como o de hoje são vitais para aprimorar os progressos no descobrimento de fármacos e acelerar os novos tratamentos para estes doentes.

Outro dos autores principais, Christopher Dobson, da Universidade de Cambridge, sublinhou que este estudo mostra que é possível "não apenas encontrar compostos que se dirijam diretamente aos oligómeros tóxicos que causam transtornos degenerativos, como aumentar a sua potência de forma racional".

Em Portugal, a associação de Alzheimer lançou em julho uma campanha que visa aumentar a compreensão sobre a demência, convidando todos os portugueses a "comprometerem-se ativamente" na melhoria do dia-a-dia das pessoas que sofrem desta doença. Lançada no Dia Internacional da Amizade, a campanha "Amigos na Demência" integra-se no movimento global "Dementia Friends", implementado em 17 países, pretende demonstrar que "é possível viver melhor com demência e que a pessoa é muito mais do que a demência", refere a associação em comunicado.

"Combater o desconhecimento e o estigma associados à demência é fundamental, assim como aumentar o nível de consciencialização sobre a demência em Portugal", defende o presidente da Alzheimer Portugal, José Carreira, no mesmo comunicado. Segundo José Carreira, a iniciativa pretende "ajudar os portugueses a compreenderem como é que a demência afeta as pessoas e contribuir para alterar comportamentos que tornem a sociedade mais amiga das pessoas com demência".