As seis espécies (mais) ameaçadas pela nova política ambiental de Trump

A administração americana está a fazer mudanças na lei de proteção de espécies ameaçadas, porque acredita que isso tem vantagens económicas. Mas também há riscos

Na semana passada, a Casa Branca anunciou mudanças significativas num dos pontos mais importantes da sua política ambiental. "Uma crítica que ouvimos repetidamente foi que a implementação da ESA [Lei das Espécies Ameaçadas] não era consistente e muitas vezes era muito confusa para navegar. Estamos a propor melhorias para atingir os melhores resultados de conservação para as espécies e, ao mesmo tempo, reduzir a carga regulatória sobre o povo americano", afirmou o vice-diretor do Serviço de Pesca e Vida Selvagem dos EUA, Greg Sheehan.

A nova legislação visa mudar os "procedimentos para listar espécies, recuperar e designar habitats críticos". Outro dos objetivos desta mudança é acabar com a proteção automática que fazia equivaler as espécies ameaçadas às que estão realmente em risco de extinção. Os críticos apontam uma estratégia ainda mais vasta: aumentar o controlo direto da administração sobre definições como as alterações climáticas, que influem na proteção atribuída às espécies ameaçadas.

Por exemplo: a administração Obama incluiu na lista da ESA as focas do Ártico, precisamente porque o seu habitat gelado estava sujeito ao perigo do aquecimento global.

"É uma janela de oportunidade que aparentemente viram para esta mudança", explica John Freemuth, professor da Boise University ao jornal inglês The Guardian. "Não dispõem necessariamente de factos. A ideia de que a ESA, de alguma forma, é uma lei que prejudica a economia é um argumento vago. É provável que tenha beneficiado a economia através do turismo e do valor das áreas protegidas."

A lei em causa existe desde 1993 e foi revista pela última vez em 1992.

"O foco da alteração deveria ter sido os habitats em risco", sublinha Robin Kundis Craig, professor da Universidade do Utah.

Em mais de 1600 espécies listadas como ameaçadas, há algumas que podem vir a sofrer riscos maiores quando estas alterações forem aprovadas. O The Guardian mostra seis casos:

URSO POLAR

Com o crescimento das áreas destinadas à exploração de petróleo na região ártica dos EUA, e com o efeito - potencialmente desvalorizado pela administração Trump - do aquecimento daquela zona do planeta, a população de ursos polares é aquela que sofre o maior risco com as mudanças em curso na Lei de Proteção das Espécies.

FAISÃO SELVAGEM

A sua presença nas zonas mais ricas para a exploração petrolífera e de gás natural faz destas aves um empecilho. Há um número bastante claro: três quartos das zonas cuja concessão petrolífera é desejada estão no habitat desta espécie. Protegê-la seria, então, abdicar de uma receita.

LOBO CINZENTO

Desde que foi reintroduzido, em 1995, no parque de Yellowstone, o lobo conquistou novos territórios - do estado de Washington ao do Michigan. Os rancheiros queixam-se dos ataques ao seu gado.

PEIXE-REI

Estes pequenos peixes dos deltas da California, Joaquin-Sacramento, são uma "espécie indicador". As zonas de ria estão a ser conquistadas por terrenos agrícolas.

SALMÃO

O aquecimento das águas onde vive, além da sua utilização na irrigação agrícola, na bacia do rio Klamath, levaram o salmão selvagem ao risco de extinção.

URSO GRIZZLY

Há cerca de 700 ursos grizzly no parque de Yellowstone e mais 1,100 no parquet nacional Glacier. Neste caso, os números aparentemente abundante desta espécie jogam contra ela, porque podem significar uma desclassificação na lista de espécies a proteger.

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