Piers Morgan, o inglês que quer fazer esquecer Larry King

Oprah Winfrey é a primeira convidada e fala da única depressão que teve na vida. Um trunfo para que 'Piers Morgan Tonight' lidere

Há seis anos, Piers Morgan estava desempregado. Hoje ganha cerca de 20 milhões de euros pelos seus contratos de três anos com a CNN, em Piers Morgan Tonight, e com a NBC, em America's Got Talent. Aos 45 anos, foi o escolhido para substituir, nada mais nada menos que, Larry King. Piers Morgan será o primeiro inglês, desde David Frost, a apresentar um talk show em horário nobre nos Estados Unidos. Piers Morgan Tonight estreia-se hoje à noite na CNN (em Portugal pode ser visto na CNN International, a partir das 21.00), com uma primeira convidada de luxo: Oprah Winfrey.

O programa número um foi gravado na semana passada, e Oprah contou a Piers que em 1998, altura em que fez o filme Beloved - que foi um fracasso de bilheteira -, teve uma relação obsessiva com a comida, por causa dos nervos, e que engordou 13 quilos, o que a levou a uma depressão. "A minha área não é o cinema. Fiz esse filme porque estava apaixonada por ele. Estava preocupada se as pessoas iam vê- -lo nessa semana ou na próxima. Comia muito macarrão com queijo. Engordei 13 quilos. Não estou a brincar! Foi a única vez na minha vida que tive uma depressão", revelou a dona e fundadora da cadeia de televisão OWN.

Para Piers Morgan ter Oprah no seu primeiro programa foi perfeito: "Acho genuinamente que a Oprah é a convidada perfeita para este programa. Ela não só é a maior celebridade do mundo, como também é uma marca extraordinária."

Mas quem é este inglês que quer hoje conquistar milhões de telespectadores no mundo inteiro? Conhecido dos telespectadores dos Estados Unidos principalmente por ser um dos jurados do programa recordista de audiências da NBC, America's Got Talent, e por ter sido o vencedor do reality show Celebrity Apprentice, Piers Morgan tem uma longa e controversa carreira como jornalista no Reino Unido.

Foi director dos jornais News of the World e Daily Mirror, propriedade do magnata da comunicação social Rupert Murdoch. Piers foi despedido do Mirror, depois de dez anos no jornal, por ter publicado fotografias falsas de soldados ingleses a torturarem iraquianos. Alegou que acreditava que o material fosse legítimo, mas depois de uma carreira recheada de polémicas - entre as quais uma fotomontagem na primeira página da princesa Diana a beijar Dodi Al Fayed -, foi mesmo despedido sumariamente, tendo apenas alguns minutos para esvaziar o gabinete, e acompanhado por um segurança da empresa, e sair do edifício londrino onde trabalhava.

A sua passagem pelos dois tablóides deixou marcas em Inglaterra, e o livro The Insider - que conta o seu dia-a-dia como director de jornais e a sua relação com os ricos, famosos e poderosos - tornou-se um bestseller.

Morgan começou então a escrever uma entrevista mensal para a revista GQ. Em 2004 iniciou-se na televisão, apresentando no Channel 4 o programa de actualidade Morgan&Platell, seguido por dois programas de entrevistas para a BBC, Tabloid Tales e You Can't Fire Me I'm Famous. Em 2008, assina pela ITV, onde apresentou um programa chamado Piers On..., no qual fazia reportagens em várias partes do mundo. A seguir, um novo talk show: Piers Morgan's Life Stories, em que conduzia entrevistas com celebridades, empresários e líderes políticos. Durante os últimos dois anos, foi o talk show a ter melhores audiências em toda a Grã-Bretanha.

Alegadamente, foi o programa da inglesa ITV Piers Morgan Life Stories que captou a atenção da CNN. Quando entrevistou o então primeiro-ministro Gordon Brown, no início do ano passado, este deixou o seu estilo assertivo de lado e ficou à beira das lágrimas quando falou sobre a morte da filha bebé. É isso que a CNN quer e é isso que Piers Morgan tem prometido nos spots do seu programa: "Eu quero que cada noite seja um acontecimento. Eu sou o Piers Morgan. Gosto que as entrevistas sejam provocadoras. Tem de pôr a pessoas a falar. Quero entrevistar as pessoas mais importantes do mundo e que no dia seguinte na América toda a gente diga 'Viste aquilo?!' Vai ser imprevisível, cheio de vida, desafiante e divertido." A ver vamos.

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