Passos não comenta interesse da Newshold na RTP

O primeiro-ministro escusou-se hoje a comentar o anunciado interesse do grupo económico Newshold na eventual privatização da RTP, afirmando ser "completamente prematuro" abordar a questão até serem conhecidas as condições que vierem a ser adotadas em Conselho de Ministros.

"O Governo ficou até ao final deste ano de apresentar os termos em que proporá ao próprio Conselho de Ministros a resolução da questão da RTP. Na altura em que essa matéria for esclarecida, então saberemos o que é que os grupos privados, sejam eles de origem portuguesa ou com outras origens, poderão ter como expetativa. Até lá, eu não vou fazer nenhum comentário", disse Pedro Passos Coelho, em Bruxelas.

O primeiro-ministro, que falava no final de uma cimeira de chefes de Estado e de Governo da União Europeia, disse ter tido conhecimento da "manifestação de interesse" da Newshold pela comunicação social, indicou que "fica registada", mas afirmou nada ter "a acrescentar sobre ela", pois só quando se souber "o que é que o Conselho de Ministros deliberará sobre a RTP" será possível dizer "o que é que faz sentido ou não considerar"

Passos Coelho escusou-se por isso a comentar sequer se há alguma objeção de princípio à possibilidade de uma empresa com capital angolano avançar para o futuro do canal público português.

"No dia em que o Governo tomar, em Conselho de Ministros, uma decisão sobre o futuro da RTP, então serão esclarecidas as condições e, em função disso, quem é que poderá ou não apresentar-se para participar desse futuro da RTP", concluiu.

O grupo económico Newshold, que detém por exemplo o jornal SOL, disse na quinta-feira em comunicado que tem "disponibilidade e meios" para avançar para uma eventual privatização da RTP, caso o modelo proposto pelo Governo se revele "um negócio interessante".

"Na hipótese de a solução a definir pelo Governo português para a privatização ou concessão da RTP se revelar um negócio interessante para as partes, a Newshold tem disponibilidade e meios para, isoladamente ou em parceria, apresentar uma candidatura séria com vista a assegurar e garantir a implementação de um projeto verdadeiramente sólido e independente para a RTP", diz o comunicado enviado pelo conselho de administração da Newshold.

O grupo esclarece aquilo que diz ser uma "falsidade", respeitante à propriedade da empresa.

"Convém esclarecer que todos os acionistas da Newshold, não obstante terem nacionalidade angolana, são também cidadãos de nacionalidade portuguesa, possuindo dupla nacionalidade", aponta a nota da administração da empresa.

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