Nuno Santos arguido por ter recusado imagens 'em bruto'

O ex-diretor de Informação e jornalista da estação pública foi constituído arguido e vai ser ouvido esta terça-feira no âmbito de um processo em que "não permitiu o acesso a imagens em 'bruto' na sequência de uma reportagem da Rita Ramos sobre aborto clandestino", escreveu no Facebook.

Nuno Santos - que enfrenta um processo disciplinar por ter permitido, segundo inquérito interno da RTP, acesso por parte da PSP a imagens em bruto da manifestação de 14 de novembro - vai ser ouvido esta terça-feira no âmbito de um processo em que "não permitiu o acesso a imagens em 'bruto' na sequência de uma reportagem da Rita Ramos sobre aborto clandestino", escreveu na sua página de Facebook. "A vida está de facto cheia de ironias", classificou.

Nessa mesma página pessoal, Santos adianta que a decisão foi ainda suportada juridicamente e pelo regulador. "Explicámos ao médico e aos seus advogados que 'brutos' são trabalho jornalístico. O Departamento Jurídico da RTP fez o seu trabalho, a Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) validou a minha decisão."

A referida reportagem sobre um ginecologista do Centro Hospitalar de Torres Vedras suspeito de fazer abortos ilegais a troco de dinheiro foi exibida em Linha da Frente, em junho de 2012, e levou a Inspeção Geral das Atividades em Saúde e a Ordem dos Médicos a uma investigação ao médico em causa. O especialista, por seu lado, acusa a estação e a jornalista de "não ter reproduzido, na íntegra, as conversas" e as imagens feitas com câmara oculta.

Quanto ao processo disciplinar que recaí sobre Nuno Santos, Alberto da Ponte, presidente da estação pública, declarou ao jornal Expresso que deverá haver uma decisão esta semana. "Temos até dia 26 para decidir e provavelmente teremos uma decisão na próxima semana".

No âmbito deste processo, recorde-se, a Comissão de Trabalhadores e o Conselho de Redação saíram em defesa de Santos, a ERC não atribuiu responsabilidades individuais, mas reconheceu que "um coletivo agiu de acordo com diferentes conceções dos acontecimentos" e deliberou que a RTP procedesse à elaboração de normas internas. A Comissão da Carteira Profissional de Jornalista abriu processo disciplinar ao jornalista.

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