"Despedimento coletivo" na RTP não, mas saídas sim

Indigitado para a presidência da estação pública, Gonçalo Reis recusa abrir um processo de despedimento coletivo por ser "agressivo", mas não recusa a saida de profissionais. Futura administração da RTP quer apostar na programação independente e quer procurar manter e potenciar os centros regionais

Ouvidos esta manhã na Assembleia da República, os três elementos indicados para a administração da RTP - Gonçalo Reis, Nuno Artur Silva e Cristina Vaz Tomé - apresentaram o projeto estratégico para a estação pública. A diversidade e qualidade da programação assume uma tónica dominante na apresentação das intenções para a estação pública, tal como o financiamento disponível para cumprir missões de serviço público, mas também as saídas de trabalhadores volta a estar em cima da mesa.

Sobre os despedimentos coletivos, o presidente indicado quer recusar os processos de despedimento coletivo, mas admite aplicação de "políticas adequadas, bem redimensionados", afirmou aos deputados. "Não tenho vontade nenhuma de abrir um processo de despedimento coletivo, é um mecanismo agressivo e só deve ser utilizado em ultima instância". "Não o vamos aplicar", mas a RTP deve ter um dimensionamento adequado em qualidade e quantidade", referindo que serão agora a analisadas as áreas. "Não vamos fazer despedimentos", afirma, recusando "fantasmas", mas refere a necessidade de, nos setores empresariais, "por vezes ser necessário sair quantidade para entrar qualidade".

Criar mais "harmonização entre os canais" está entre a lista de prioridades da nova administração, a par da aposta na Televisão Digital Terrestre. Para Nuno Artur Silva, indicado administrador com o pelouro editorial mas que considera que, apenas no âmbito das suas funções, deverão ser dadas linhas gerais - os diretores deverão tomar as opções - , a aposta na produção independente é para ficar, dissocia audiências da relevância dos produtos e assegura que não existirão mudanças abruptas em matéria de alterações de programação. "Os conteúdos serão dirigidos pelos respetivos diretores", declarou Nuno Artur Silva. "Quaisquer mudanças de fundo não são imediatas e até pensando do ponto de vista de fidelização dos públicos. Há trabalho que está feito e não deve ser abruptamente interrompido, a estabilidade dos públicos também é importante. A diversidade e a procura de formatos alternativos aos existentes como por exemplo na RTP1, não só é mais caro, como tem de ser gerido com cuidado, tem de ser com calma", afirma o antigo diretor-geral das Produções Fictícias. "A RTP1 terá diversidade e fará oferta alternativa e privilegiar, nos vários dias da semana, uma grelha que seja menos horizontal e isso é um processo que vai demorar tempo quer do ponto de vista financeiro, quer do ponto de vista fidelização dos públicos", afirma o administrador indicado, garantindo que quer que a estação, "com público tradicionalmente envelhecido", amplie a oferta de forma universal".

Quanto aos centros regionais, Cristina Vaz Tomé, administradora indicada para o pelouro financeiro e já com parecer prévio e vinculativo do Ministério das Finanças, sustenta que os centros regionais deverão ser alvo de um retrato. "As estruturas que já existem, é preciso ter conhecimentos e sobre competências e diferentes atividades. Fará parte do plano de transformação, fazer o retrato, perceber quais as capacidades que esses centros tem, potencial e estruturas de custos que estão adjacentes. Queremos tentar alavancar e potenciar o máximo os recursos existentes", afirmou Cristina Vaz Tomé.

O contrato de concessão de serviço público com a tutela dentro em breve foi precedida pela do presidente do Conselho Geral Independente,. Para António Feijó o organismo de supervisão "deve calar-se e voltar ao anonimato, de onde nunca quis sair", uma vez encontrados os elementos para a órgão de gestão da estação pública. Foram procuradas pessoas que "implicassem uma mudança geracional - estão todos na casa dos 40 anos - e que tivessem um conhecimento do setor mais ou menos aprofundado", afirmou o presidente do CGI que diz estar "completamente confortável com os currículos profissionais das pessoas indicadas", recusando qualquer correlação com escolhas politicas.

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