Limitação da cobertura prejudica democracia

O presidente do Sindicato dos Jornalistas, Alfredo Maia, disse hoje estar "muito preocupado" com uma eventual limitação pelas televisões da cobertura da campanha para as eleições autárquicas e apelou à reponderação de uma decisão que prejudica a democracia.

As três televisões de sinal aberto discordam dos termos exigidos pela Comissão Nacional de Eleições (CNE) para a cobertura das autárquicas e planeiam seguir poucos concelhos, com a RTP a ponderar desistir do acompanhamento da campanha.

Na SIC, será feita uma "seleção de concelhos para garantir a lei", disse à Lusa o diretor de informação da estação de Carnaxide, Alcides Vieira. A mesma estratégia será seguida pela TVI, com uma "cobertura limitada", segundo o responsável pela informação desta estação, José Alberto Carvalho.

Já a RTP, alvo de duas queixas na CNE durante a pré-campanha para as eleições de 29 de setembro, "vai optar por se proteger em relação a essas possibilidades" e pondera "deixar de colocar candidatos no ar", disse à Lusa o diretor de informação, Paulo Ferreira.

A lei exige que todas as candidaturas tenham tratamento igual por parte dos órgãos de comunicação social.

Em declarações hoje à agência Lusa, Alfredo Maia disse que os operadores de televisão, em particular a RTP como operadora de serviço público, têm a obrigação de assegurar o melhor possível e com o maior pluralismo a cobertura das campanhas eleitorais e não se limitarem ao acompanhamento de líderes partidários.

"É verdade que há um aparente conflito com a CNE e mesmo com os tribunais, mas enfrentar as suas decisões é um risco tão natural no jornalismo como muitos outros riscos que os jornalistas correm todos os dias. Os desafios que se colocam aos órgãos, em particular aos operadores de televisão, é que encontrem formas de enfrentar estes riscos específicos no desemprenho da sua missão de garantir aos cidadãos a informação", sublinhou.

Alfredo Maia lembrou que o direito à informação "não é propriedade dos jornalistas, é um direito dos cidadãos".

Por isso, o presidente do Sindicato dos Jornalistas apela às televisões que "reponderem da decisão de limitar a cobertura da campanha que prejudica" os cidadãos e a democracia.

"Os argumentos das televisões são legítimos (...) Sabemos que os meios são limitados, finitos. Não é possível assegurar a cobertura integral de todas as candidaturas, de todos os 308 municípios do país e milhares de freguesias. Por isso, o meu apelo vai no sentido de que o acompanhamento deve ser o mais completo e plural possível", disse.

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