Moniz poderá estar a caminho da OnGoing

José Eduardo Moniz já não é Director-Geral e de Coordenação de Informação e Programas da TVI e deixou de ter qualquer vínculo profissional com empresas do Grupo Media Capital. Tudo indica que Moniz estará a caminho da OnGoing.

José Eduardo Moniz saiu da direcção-geral da TVI e já não tem qualquer vínculo profissional com a empresa Media Capital. Tudo indica que poderá estar a caminho da empresa OnGoing, detentora de cerca de 20% da Impresa (detentora da SIC), concorrente directa da Media Capital.

Ontem, os principais responsáveis da Ongoing entregaram ao presidente da Impresa cartas de demissão da administração da dona da SIC para serem utilizadas quando Francisco Pinto Balsemão considere necessário. A OnGoing tem estudado a possibilidade de entrar na Media Capital, desde que consiga obter o controlo da gestão da TVI. 

Moniz deixa TVI e Media Capital "triste" mas orgulhoso

A notícia da saída de Moniz foi adiantada num comunicado publicado no site da Comissão de Mercado de Valores Mobiliários (CMVM).

“O Dr. José Eduardo Moniz ingressou na TVI em Setembro de 1998 como Director-Geral, tendo sido ao longo destes mais de 10 anos o principal responsável pela coordenação de uma vasta equipa de grandes profissionais, que permitiu levar a TVI à liderança indiscutível em audiências e no reconhecimento pelo público português”, pode ler-se no comunicado emitido pelo Grupo Media Capital.

O cargo de Moniz será ocupado interinamente pelo administrador delegado da TVI, Bernardo Bairrão. Ao nível da programação as decisões vão passar por Luís Cunha Velho e na Informação por João Maia Abreu, adianta a Lusa.

"Obviamente, saio triste", afirma José Eduardo Moniz num comunicado divulgado pela estação, no qual confirma a sua saída: "Amanhã já  não serei director-geral da TVI".

Referindo estar orgulhoso por "ter contribuído para que a TVI se transformasse naquilo que hoje é", ou seja, "uma estação líder", Moniz considera que a TVI "operou uma verdadeira revolução no mercado português".

"Costumo dizer, sem falsa modéstia, que se conseguiu construir a mais portuguesa das estações de TV do país, em cumplicidade plena com os espectadores", acrescenta, adiantando que a TVI é não apenas "líder de audiências desde 2005 e, sem interrupção" como também "campeã de facturação e, caso raro, em rentabilidade" desde 2006.

Apesar da tristeza, adianta, sai "de consciência tranquila, convicto de que me orientei por princípios de honestidade e isenção, não aceitando pactuar, até final, com orientações ou pressupostos susceptíveis de contaminarem o pacto de seriedade e de verdade celebrado com os nossos espectadores".

"Faço votos para que assim continue e que se preserve o espírito livre, inconformista e batalhador desta empresa", acrescenta ainda, lembrando que "a vida é feito de ciclos" e "este chegou ao fim".

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