Eduardo Moniz diz que "serviço público não faz sentido"

O ex-director-geral da TVI apontou o dedo ao Estado pela forma como gere a empresa pública de rádio e televisão. Críticas elencadas durante uma apresentação no congresso do PSD-Madeira.

O administrador da Ongoing e ex-director -geral da TVI esteve esta sexta-feira no congresso do PSD-Madeira e abordou a questão do serviço público de televisão. Moniz demarcou-se de ligações ao partido e ao projecto de privatização que os sociais-democratas apresentaram relativamente à RTP, mas apelou à discussão do modelo em vigor.

No seu discurso, José Eduardo Moniz considerou que a persistência no actual modelo "constitui um bom exemplo da falta de coragem e demonstra como, em nome do interesse nacional, se protegem fins que, no essencial, encontram fundamento apenas nos propósitos de manutenção de privilégios e de manipulação de opinião pública". O administrador da Ongoing acredita que este modelo tem em vista "a conquista do poder e a sua preservação". Desfiou duras críticas à RTP - que acusa de ser símbolo de "imobilismo nacional" - e RDP e vincou que "o serviço público não faz sentido", sobretudo porque "é impossível um único canal público e empresa assegurar tudo aquilo que é o pensamento humano, a cultura, etc".

O ex-director-geral da TVI diz-se "descrente" quanto a um "qualquer esquema que vise atribuir à concessão privada a gestão da RTP pública", defendendo antes que "mais vale entregar a RTP à iniciativa privada" e pedir do Estado um papel regulador. E em que todos os outros canais passam a ter de cumprir especificações. "Não vejo porque é que os operadores com contrapartidas, por terem também uma licença e com um pagamento específico, não hão-de ter obrigação de ter programas de serviço público e horários a combinar com o Estado". Moniz quer resumir esta intervenção "à sua função específica de moderador em vez de ser proprietário e gestor".

Ler mais

Exclusivos

Premium

Margarida Balseiro Lopes

Legalização do lobbying

No dia 7 de junho foi aprovada, na Assembleia da República, a legalização do lobbying. Esta regulamentação possibilitará a participação dos cidadãos e das empresas nos processos de formação das decisões públicas, algo fundamental num Estado de direito democrático. Além dos efeitos práticos que terá o controlo desta atividade, a aprovação desta lei traz uma mensagem muito importante para a sociedade: a de que também a classe política está empenhada em aumentar a transparência e em restaurar a confiança dos cidadãos no poder político.