Grupo Cofina lança canal de TV por cabo em fevereiro

O grupo Cofina anunciou hoje o lançamento, em fevereiro, de um canal de televisão no cabo a ser distribuído em exclusivo pela MEO, operador da Portugal Telecom (PT).

O Correio da Manhã TV (CM TV) irá tirar proveito das sinergias dos diferentes títulos do grupo Cofina - Correio da Manhã, Jornal de Negócios, Record, Sábado, Máxima, entre outros, e contará com cerca de 80 profissionais em regime de exclusividade (cuja contratação arranca em setembro) e emitirá 24 horas por dia.

A Cofina e a MEO escusaram-se a revelar os pormenores financeiros envolvidos na parceria que hoje assinaram na sede do grupo Cofina, presido por Paulo Fernandes. Esta parceria não invalida um eventual interesse da Cofina na privatização da RTP, garantiu Paulo Fernandes à agência Lusa.

"Esse cenário está ainda no campo das hipóteses, não vou comentar. Mas no dia em que houver a clareza de um caderno de encargos, iremos estudá-lo e tomar uma posição", indicou o presidente da Cofina.

Paulo Fernandes sublinhou à Lusa que "a questão da RTP está ainda muito longe de estar clara" e escusou-se por isso a fazer mais comentários sobre o assunto ou mesmo a admitir que a parceria hoje assinada com a PT permite à Cofina dar os primeiros passos num domínio que é novo para o grupo e acumular experiência para eventuais voos mais exigentes.

"Acho que não podemos especular contra uma coisa que é palpável e hoje tomou forma, está contratualizada e vai avançar muito rapidamente", disse à Lusa, apesar de ter iniciado o seu discurso na cerimónia de assinatura da parceria, sublinhando que "há anos que a Cofina procura ter uma presença no mercado de televisão em Portugal.

Em relação ao negócio, Paulo Fernandes e Zeinal Bava escusaram-se a revelar dados relevantes, o primeiro porque foi "impedido" pelo segundo e o presidente da PT porque está a negociar o lançamento de outros canais, como revelou na cerimónia de assinatura: "O CM TV vai ser o primeiro de vários canais que vamos lançar, não vamos ficar por aqui".

Ainda assim, Paulo Fernandes explicou à Lusa as premissas do negócio, sublinhando que o CM TV será "um canal exclusivo no cabo" a ser distribuído pelo Meo.

"Os canais no cabo vivem essencialmente de comparticipações da plataforma que os distribui. Naturalmente, nos primeiros tempos do canal, a componente [de financiamento] mais forte é a da contrapartida do operador e não a publicidade. A publicidade entrará numa fase em que o canal se começar a implementar, a ter audiências e a gerar rendas. Obviamente que as contas estão feitas dessa maneira", disse.

Quanto à publicidade, ela será "explorada e gerida" pelo grupo Cofina. "Obviamente, temos um acordo de partilha com a PT", indicou ainda Paulo Fernandes.

Em relação ao período da exclusividade, Paulo Fernandes não quis adiantar qualquer dado, admitindo apenas que não assina nada "ad eterno com ninguém".

Zeinal Bava, por seu lado, preferiu sublinhar que o projeto "tem que ter um período de trabalho em equipa muito próximo de quem distribui e conhece o tecido humano que consome os conteúdos e de quem os produz".

"Por isso, é fundamental existirem condições para que este período seja suficientemente longo para que os dois [parceiros] consigam trazer o melhor que cada um tem para fazer destes canais um sucesso. O grupo PT não olha para a exclusividade como um fim, mas como um meio para atingir um fim", acrescentou à Lusa Zeinal Bava.

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