Comunicado da Newshold sobre RTP é "suicídio público"

O conselheiro de Estado Marcelo Rebelo de Sousa considerou hoje, em Coimbra, que o comunicado da empresa angolana Newshold em que manifesta interesse na RTP foi um "suicídio público".

"Acho que este comunicado foi uma espécie de suicídio público. Quem quer ser candidato a um canal, fazer um comunicado destes é, no fundo, matar a hipótese de poder ganhar o concurso da RTP", disse Rebelo de Sousa à entrada para a cerimónia de entrega do prémio de jornalismo Adriano Lucas.

Segundo o também comentador político, "a maneira e o momento em que este grupo avançou, quando o Governo está para tomar a decisão, liquida quase totalmente a hipótese de vir a ganhar".

O grupo económico Newshold, que detém por exemplo o jornal SOL, disse na quinta-feira em comunicado que tem "disponibilidade e meios" para avançar para uma eventual privatização da RTP, caso o modelo proposto pelo Governo se revele "um negócio interessante".

"Na hipótese de a solução a definir pelo Governo português para a privatização ou concessão da RTP se revelar um negócio interessante para as partes, a Newshold tem disponibilidade e meios para, isoladamente ou em parceria, apresentar uma candidatura séria com vista a assegurar e garantir a implementação de um projeto verdadeiramente sólido e independente para a RTP", diz o comunicado enviado pelo conselho de administração da Newshold.

O texto, longo e com diversos pontos, é ainda crítico para com os "órgãos de comunicação social, jornalistas e comentadores" em Portugal que, diz a administração, caracterizam a Newshold "como uma empresa 'misteriosa' sobre a qual pouco ou nada se sabe".

"Convém esclarecer que todos os acionistas da Newshold, não obstante terem nacionalidade angolana, são também cidadãos de nacionalidade portuguesa, possuindo dupla nacionalidade", aponta a nota da administração da empresa.

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