Terminadas negociações para redução salarial no Público

A comissão de trabalhadores (CT) do Público considera "encerrado o processo negocial de redução salarial com a administração" do jornal, anunciou hoje o organismo num email enviado aos funcionários do diário, a que a Lusa teve acesso.

A CT considera que "há apenas alguns pormenores ainda em discussão" entre as partes e que, "após mais de 90 por cento (92) dos trabalhadores terem manifestado perante a administração a intenção de assinar o acordo de redução salarial", o processo está "encerrado".

Na missiva, a CT agradece a todos os trabalhadores o respectivo "envolvimento" e enfatizou "algo que sempre defendeu ao longo de todo o processo e que decorre de exigência legal: cabe a cada trabalhador, individualmente e com todos os elementos de que dispõe, decidir se aceita ou não o acordo de redução salarial".

A entidade representante dos trabalhadores nas negociações disse ainda "saber" que "há trabalhadores sem condições financeiras/económicas para aceitar este acordo" e que a própria sugeriu aos mesmos "que não o aceitassem perante situações de futura carência alimentar e familiar".

Tomando nota de que outros funcionários do Público "apresentaram uma discordância de princípio com o acordo, independentemente do valor do corte e do seu salário", a CT considerou ambas as posições "legítimas", "apesar de não subscrever muitos dos argumentos invocados".

"Podemos discordar de algumas decisões, mas acima de tudo aceitamo-las e respeitamo-las", conclui o comunicado da CT.

A Lusa tentou, sem sucesso, obter uma reacção da administração do Público.

O plano de reduções salariais alargado a todos os funcionários permitiu que fosse posto de parte um plano inicial que previa a colocação de 21 trabalhadores do Público em suspensão de contrato ('lay off') temporária.

O plano em discussão prevê, segundo a CT, um quadro progressivo de reduções salariais, que começa nos 3 por cento para os trabalhadores que auferem salários brutos acima dos mil euros e evolui até 8 por cento para salários até 1500 euros e daí até um tecto de 21 por cento para salários brutos acima dos 4 mil euros.

O plano contempla ainda situações de fronteira para evitar que quem está na base inferior de um escalão tenha reduções equivalentes à parte superior do mesmo escalão.

De acordo com a fonte da CT do Público, existe um total de 37 funcionários no jornal que auferem menos de 1000 euros brutos mensais e há 136 funcionários com salários acima dos 1600 euros.

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