Sindicatos da RTP recomendam: "Não subscrevam nada"

Os sindicatos da RTP estão hoje a propor aos trabalhadores da estação pública de televisão que "não subscrevam absolutamente nada" com a administração que os desvincule da empresa, com o argumento de que o plano de reestruturação não é "legal".

Os representantes dos trabalhadores da RTP foram hoje recebidos pelo secretário de Estado adjunto do ministro Adjunto e dos Assuntos Parlamentares, Feliciano Barreiras Duarte, reunião de onde saíram para um plenário de trabalhadores que decorre esta tarde, com as "expectativas goradas" em relação aos "pormenores" que gostariam de ter vistos esclarecidos sobre o plano de reestruturação da RTP.

"Trazíamos a expectativa que nos fossem revelados os pormenores deste plano, que chamamos de reestruturação e a administração e o Governo chamam de sustentabilidade financeira. As nossas expectativas foram goradas, esses pormenores não nos foram revelados", afirmou à Lusa Paulo Mendes, dirigente do Sindicato Nacional dos Trabalhadores das Telecomunicações e Audiovisual (SINTTAV), e porta-voz do grupo de sindicatos da RTP.

A indicação que os sindicatos deixarão esta tarde aos trabalhadores será, assim, a de "não subscreverem absolutamente nada". "Continuam a ser trabalhadores da RTP, não de qualquer tipo de empresa que venha a ser tomada. E depois tenham esta perspectiva: qualquer acção que venha a ser feita carece de sustentáculo legal. Neste momento, as acções anunciadas carecem de sustentáculo legal. A lei da televisão actual não permite estas medidas. É simples", defendeu o sindicalista.

Por outro lado, em relação às 300 rescisões anunciadas no plano de reestruturação da RTP, os sindicatos sublinham que "as rescisões só são amigáveis se forem voluntárias". "Se alguém for objectivamente convidado a sair fruto de uma rescisão supostamente amigável, isto não será uma saída amigável. Não nos opomos a qualquer rescisão em que o trabalhador se voluntarie para ela. Somos contrários a uma decisão pseudo-amigável, em que o trabalhador seja convidado a sair", declarou Paulo Mendes.

Os representantes dos trabalhadores criticaram ainda a administração da RTP, que lhes "parece mais perdida do que o Governo nesta circunstância toda". "Os trabalhadores terão que acautelar eles mesmos a forma como o conselho de administração [da RTP] gere um processo, que parece, em alguns casos, entrar em dissonância com aquilo que diz a própria tutela", disse o dirigente do SINTTAV.

O plenário de trabalhadores da RTP foi convocado com dois pontos na ordem de trabalhos, a reestruturação da RTP e a greve geral de dia 24 convocada pelas duas centrais sindicais, mas os sindicatos saíram da reunião com Barreiras Duarte sem uma "proposta equacionada" sobre eventuais formas de luta. "Serão sempre os trabalhadores a decidir", afirmou Paulo Mendes.

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