Sindicatos da RTP dizem que saída de Paulo Ferreira era esperada

Os sindicatos da RTP disseram hoje que a saída de Paulo Ferreira de diretor de informação da RTP "não é inesperada" e resulta de "polémicas internas" e editoriais sobre avaliações de desempenho e rescisões de contratos de trabalho.

"A notícia do seu pedido de demissão foi só uma questão de 'timing'", afirmou Clarisse Santos, porta-voz da plataforma dos sindicatos da RTP, à agência Lusa, depois de ter sido conhecido na sexta-feira à noite que Paulo Ferreira pediu a demissão do cargo de diretor de informação da RTP.

Em outubro a redação da RTP/TV havia determinado, em plenário, a perda de confiança na direção de informação, por esta ter aceitado "participar num processo ilegítimo", que culminará "na elaboração de listas de mobilidade", foi então anunciado pelo Conselho de Redação.

A Direção de Informação da RTP/TV reagiu garantindo que o processo de avaliação lançado na empresa não tinha como objetivo a elaboração de qualquer 'lista' para despedimentos.

"O processo de avaliação lançado em toda a empresa, e que vai aplicar-se a todos os trabalhadores, é do conhecimento dos sindicatos e não tem como objetivo a elaboração de qualquer 'lista' para despedimentos", referiu a Direção de Informação, liderada por Paulo Ferreira, num comunicado enviado a 15 de outubro à agência Lusa.

Pouco depois, no começo de novembro, os sindicatos afetos à RTP pediram a demissão de Paulo Ferreira devido a declarações que entenderam violar "o código de ética" sobre o processo de rescisões voluntárias no operador de televisão estatal.

O então diretor, em declarações reproduzidas no "Dinheiro Vivo", aludiu que os trabalhadores da RTP que rescindiram voluntariamente eram as pessoas "mais talentosas", enquanto as que ficam "acabam por ser, muitas vezes, as menos capazes".

Paulo Ferreira disse na sexta-feira que abandona o cargo de diretor de informação devido a uma "decisão pessoal" que resulta de uma leitura sobre o que "melhor defende os interesses gerais da RTP" e da informação da estação.

"A minha saída destas funções resulta de uma decisão pessoal, sustentada na leitura que faço sobre o que melhor defende os interesses gerais da RTP e, em particular, os da fundamental área da informação", disse Paulo Ferreira numa carta enviada ao presidente do conselho de administração da RTP, Alberto da Ponte, e a que a agência Lusa teve acesso.

A administração da RTP, que aceitou a demissão, declarou por seu turno que convidou José Manuel Portugal para o cargo de diretor de informação da estação.

Sobre o profissional, Clarisse Santos diz "ser uma mais-valia" que pode garantir que a informação da RTP continue a ser uma "referência".

"A perspetiva dos trabalhadores em geral é que seja um sucesso", notou a porta-voz da plataforma dos sindicatos da RTP.

A nomeação de José Manuel Portugal, recordou a administração da RTP, aguarda agora o parecer da Entidade Reguladora para a Comunicação Social.

A administração presidida por Alberto da Ponte enaltece no texto enviado às redações a "forma empenhada, profissional e sempre disponível" com que o Paulo Ferreira desempenhou as suas funções como diretor de informação da RTP.

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