Sarsfield Cabral abandona grupo de trabalho para serviço público de TV

O jornalista Francisco Sarsfield Cabral disse hoje à Agência Lusa que apresentou demissão do grupo nomeado pelo Governo para definir o serviço público porque com a apresentação do plano de sustentabilidade da RTP já "não fazia sentido" continuar.

De acordo com o antigo director de informação da Renascença, o plano de sustentabilidade financeira da RTP já "prevê grande parte das medidas de serviço público", pelo que não "fazia sentido" continuar no grupo de trabalho.

"Apresentei a minha demissão a 30 de Outubro e além disso já tinha dado os meus contributos ao grupo" sobre a definição de serviço público de comunicação social.

Sarsfield Cabral sublinhou que a sua saída foi pacífica.

"Fiquei espantado por haver já decisões" antes do grupo de trabalho ter concluído o documento final, adiantou, lembrando que não concorda com a existência de mais um canal que seja comercial.

O plano de sustentabilidade financeira da RTP prevê a alienação de um canal generalista e a manutenção de publicidade no que ficar no grupo de media estatal, entre outras medidas.

Sarsfield Cabral é um dos três membros do grupo de trabalho que apresentaram demissão.

O grupo de trabalho, coordenado pelo economista João Duque, integra ainda António Ribeiro Cristóvão, Eduardo Cintra Torres, José Manuel Fernandes, Manuel José Damásio, Manuel Villaverde Cabral e Manuela Franco.

Contactada pela Agência Lusa, Felisbela Lopes confirmou que se demitiu hoje, na reunião final do grupo de trabalho, por discordar da menor importância dada à informação na "quinta versão" do documento que deverá ser entregue ao Governo até sexta-feira.

Contactada pela Agência Lusa, fonte oficial do gabinete do ministro Adjunto e dos Assuntos Parlamentares disse que a tutela não iria fazer comentários sobre o assunto.

A Agência Lusa tentou também contactar o coordenador do grupo de trabalho, João Duque, mas até ao momento não foi possível obter um comentário.

O grupo de trabalho foi criado em Agosto pelo Governo, através de um despacho que estabelecia um prazo de 60 dias para apresentação de um relatório sobre a definição de serviço público de comunicação social.

"O Governo comprometeu-se a repensar o posicionamento do Estado, como operador, neste âmbito, tanto ao nível do Grupo RTP como da Lusa, Agência de Notícias de Portugal, S.A.", lê-se no despacho.

No mesmo texto, o Governo considera "indispensável ponderar e estabelecer uma adequada definição de serviço público que abranja os três segmentos do sector ainda sob tutela estatal, a saber, o da rádio e televisão e o da agência noticiosa".

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