Recomendações revelam "incompetência e desonestidade"

Os sindicatos da RTP criticaram hoje o relatório sobre definição do conceito de serviço público, considerando que as recomendações revelam "incompetência e pura desonestidade intelectual" dos membros do Grupo de Trabalho.

"Apesar do caráter pseudo-técnico que foi dado pela tutela quer à constituição deste Grupo, quer às suas conclusões, numa tentativa de justificar a vontade do Governo, ou seja, o desmembramento da RTP e o fim do serviço público, algumas opiniões vertidas neste relatório" revelam "incompetência preocupante e pura desonestidade intelectual", refere um comunicado conjunto de sindicatos da RTP.

O fim da RTP Informação, da RTP Memória e da Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC), a fusão da RTP Internacional com a RTP África e a privatização da Agência Lusa são algumas das recomendações apresentadas pelo Grupo de Trabalho.

Liderado pelo economista João Duque, o grupo apresentou o relatório ao ministro da tutela, Miguel Relvas, no dia 14 de Novembro, documento que suscitou críticas dos vários quadrantes políticos e dos representantes do sector.

"Tal como esperávamos as conclusões deste Grupo, do qual se demitiram três dos seus 11 elementos tenham sido tão claramente influenciadas, até à completa descredibilização, pelo enviesamento ideológico contra tudo o que é público por parte de alguns dos seus membros e de um revanchismo institucional contra a RTP por parte de outros", adianta o comunicado..

Os sindicatos criticam o fim da RTP Memória, a extinção da RTP Madeira e RTP Açores, o facto do relatório considerar "exagerado o número de três frequências" na rádio pública.

As críticas estendem-se também à recomendação para o fim da RTP Informação e a redução dos serviços noticiosos no serviço público para evitar o risco de serem manipulados pelo poder político.

"O Grupo desconhece, ou foi aconselhado a desconhecer, que a RTP tem neste momento a informação mais credível e com maior audiência no panorama audiovisual português e que o modelo de serviço público que parece defender, a PBS americana, tem também um serviço noticioso que é o considerado por alguns estudos como o mais independente do panorama televisivo dos EUA", adiantam os sindicatos.

"O documento associa a interferência do poder político na informação ao financiamento público, mas propõe ao mesmo tempo o fim total da publicidade e um modelo que não existe em mais lado nenhum no mundo em que os serviços noticiosos no canal internacional, que sejam pagos por, e citamos: "publicidade de empresas nacionais, parcerias estratégicas, empresariais e políticas".

Por isso, os sindicatos consideram que só pode definir as características de um serviço público "quem não odeie os serviços públicos por natureza ou não sofra de revanchismo institucional para com a empresa que o presta, após ver goradas as suas autopropostas de 'super emprego'", acusam.

O comunicado é subscrito pelo Sindicato Nacional dos Trabalhadores das Telecomunicações e Audiovisual (SINTTAV), Sindicato dos Trabalhadores de Telecomunicações e Comunicação Audiovisual (STT), Sindicato dos Meios Audiovisuais (SMAV) e o delegado sindical dos Jornalistas.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG