Rádio Amália: "Todos imitam todos. Nós não"

Balanço do primeiro ano da rádio lisboeta é "positivo", com mais audiências e a conquista de ouvintes jovens

Um ano depois de "ter preenchido um espaço vazio e que muitos abandonaram", a Rádio Amália está bem e recomenda-se. O balanço é positivo, afirma ao DN Augusto Madaleno. "É um primeiro ano muito bom. Começámos do zero e fomos construindo, degrau a degrau. Subimos para 2,2% nas audiências da Marktest e na participação das pessoas. E ainda inaugurámos uma nova frequência em Setúbal. Foi um ano cheio de prendas boas", explica o director da única rádio portuguesa totalmente dedicada ao fado.

Olhando para trás, confessa, no entanto, o risco de criar uma rádio como esta. "É muito difícil criar uma nova rádio. Não há facilidades. Hoje em dia, os projectos são muito espartilhados, as rádios imitam-se todas. Os pequenos imitam os grandes. Todos imitam todos. E nós não. Esse foi o ponto de partida, sermos diferentes. Sabíamos que havia um nicho de mercado. Só não sabíamos que era tão grande. Apontámos as armas para aí", frisa ao DN Madaleno, 50 anos.

Augusto Madaleno está consciente de que conseguiu atrair um público vasto, incluindo a camada jovem. "Temos ouvintes com 15 anos e temos outros com 65, 70 e 80 anos. É um leque vasto. Há muitos jovens que gostam de fado. A chamada 'nova geração do fado' terá também influenciado", adianta o director da Rádio Amália. Os e--mails, esses, chovem de todo o lado: Timor, Luxemburgo, Inglaterra, França e Austrália.

Com apenas um ano de emissões, tanto a equipa como o orçamento desta rádio são reduzidos. "Somos 12 pessoas. É uma equipa pequena mas muito trabalhadora", ri-se. "Gostava que o orçamento esticasse mais, mas não há hipótese. O País está em crise e a Rádio Amália tem passado um pouco ao lado da crise. Fazemos o que é possível, com os meios e o orçamento que temos", explica ao nosso jornal Madaleno, que já foi DJ em bares e animador nas rádios Radar e Capital.

Apaixonado por música, este alfacinha de gema, que trabalhou em rádios piratas antes de 1989, explica a sua devoção ao fado. "Nasci no fado. Ouvia em casa os meus pais porem os discos da Amália. Nasci nesse meio e estou nesse meio", diz.

Ao longo deste ano de vida, já actuaram em directo na rádio, propriedade de Luís Montez (dono da Radar, da Oxigénio, da Festival e de outras estações), artistas como Camané, Carlos do Carmo, Mariza ou Mafalda Arnault. Tudo em prol da promoção do talento nacional. "Em Portugal, ainda há o espírito de que o que não é nosso não é bom. O fado é a nossa música", frisa o director.

Quanto a uma possível Televisão Amália, o director confessa que a ideia poderia ser um sucesso. "Acho que vingaria. É uma ideia a pensar. Se agarrássemos no espólio da RTP, porque não fazer um canal só de fado? Se calhar, poderá ser um próximo passo, um novo projecto...", atira Madaleno.

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