Plenário da redação do DN condena despedimentos

A redação do Diário de Notícias reuniu-se esta sexta-feira para discutir o despedimento coletivo que afetou 24 trabalhadores do jornal. No final foi emitido o comunidado que se reproduz:

1- O Plenário de Redação condena de forma veemente o despedimento coletivo que afetou 24 trabalhadores do DN, destacando que o mesmo põe em causa a qualidade editorial do jornal. Os jornalistas consideram também que os despedimentos colocam em dúvida a existência de um projeto editorial sólido e que garanta o futuro do Diário de Notícias

2- Os membros eleitos do Conselho de Redação transmitiram ao Plenário as informações recolhidas na reunião com a Administração, nomeadamente que os administradores garantem que os títulos do grupo vão continuar autónomos, que será reforçada a identidade dos mesmos, que os despedimentos eram "inevitáveis" e que não foram transmitidos ao Conselho de Redação os critérios de despedimento nessa mesma reunião.

3- Os jornalistas do Diário de Notícias consideraram insuficientes as informações prestadas pelo Conselho de Administração e lamentam que não se tenham procurado alternativas ao despedimento coletivo de trabalhadores.

4- O Plenário de Redação lembrou e criticou o facto dos despedimentos significarem o fim da cobertura nacional do Diário de Notícias, o desinvestimento em secções que seriam fundamentais para a qualidade de um jornal diário generalista e que seriam também estratégicas para ganhar espaço à concorrência, lamentando o ainda o fim da cobertura de determinadas áreas dentro das próprias secções.

5 - O Plenário de Redação considerou fundamental que a Direção do Diário de Notícias, em particular o seu diretor, transmita ao Conselho de Redação qual é o projeto editorial definido para o DN. Esta reunião já foi pedida pelos membros eleitos, que aguardam resposta do diretor.

6 - Os jornalistas lamentaram ainda o tratamento editorial que foi dado pelo Diário de Notícias aos despedimentos do grupo e criticaram o silêncio da direção nas páginas do jornal sobre o assunto.

7 - O Plenário de Redação do DN não compreende como o futuro pode passar pelo online, quando o que houve foi um desinvestimento na área com o despedimento de trabalhadores que tinham formação multimedia e a continuidade de tendência de redução da infografia. Foi também anotado que o "papel" continua a ser a principal fonte de rendimento da empresa, pelo que qualquer desinvestimento nesta área será autofágico.

8 - Num ponto que não colheu a unanimidade do Plenário (apenas a maioria), os trabalhadores exigiram à direção editorial que assuma também as suas responsabilidades na quebra de vendas e de qualidade do jornal, já que as razões externas não justificam tudo o que de negativo aconteceu ao jornal.

9 - Os trabalhadores afirmaram ainda que a independência editorial do DN face a todos os poderes - nomeadamente aos representados no seu corpo acionista - é imperativa para a afirmação do jornal. A independência é não só um imperativo ético como também um imperativo de rentabilidade do DN, com o qual todos os trabalhadores e o próprio corpo acionista ganharão

10 - Os jornalistas do Diário de Notícias ficaram de sugerir ao Conselho de Redação formas de luta que dêem visibilidade ao protesto contra o despedimento coletivo.

O Plenário de Redação do Diário de Notícias

20 de junho de 2014

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