"Não ignoro que há risco na qualidade do jornalismo"

"Não ignoro que há risco na qualidade de jornalismo quando os jornalistas são pagos à peça", afirmou o ministro adjunto e do Desenvolvimento Regional. Poiares Maduro aponta regime de incentivos para fazer face à precarização.

Questionado pelo PCP sobre a precarização do jornalismo e confrontado com os despedimentos recentes, o ministro Poiares Maduro reconheceu que há perigos para a Comunicação Social e admite risco na "qualidade do jornalismo quando os jornalistas são pagos à peça".

Ministro declarou que é preciso "trabalhar, auxiliar a mudança para novos modelos económicos e financeiros e novas tecnologias e que traduzam estabilidade, encontrar mecanismos que ajudem a contrariar essas dificuldades. Estamos no âmbito do regime dos incentivos, estamos a ponderar a possibilidade de atender os critérios de atribuição a circunstâncias de atribuição como essas", afirmou Poiares Maduro aos deputados.

Mais à frente, na Comissão Parlamentar de Ética, o governante com a pasta da comunicação social declarou que "os despedimentos são de lamentar, é resultado dos desafios financeiros que estão em marcha". A resposta apropriada passa por - sustentou - "por um lado novo regime de incentivos na transição para conseguir responder à nova realidade dos media, adaptarem-se para um novo modelo de organização e financiamento dos media".

Confrontado pela deputada socialista Inês de Medeiros sobre o corte de 30% imposto à Lusa, o ministro afirmou que o Conselho de Administração o informou que a agência noticiosa "não tem problemas financeiros". Poiares maduro admite, porém, que a redução "pode ter tido um impacto no trabalho de jornalistas a tempo inteiro e à peça na Lusa".

"Em termos gerais e em matéria de atividade jornalística, ela não deve ser exercida, a meu ver, à peça", vincou, acrescentando depois que "uma agência não pode depender apenas de trabalhadores a tempo inteiro. É preciso ver as áreas em que pode manter jornalistas a tempo inteiro e outros, onde o trabalho não é muito intenso e pode ser feito à peça. Não excluo que isso possa ter sido feito".

Reduções a ter lugar já que, defende o ministro, "os portugueses não iam entender que o esforço que fizeram nos últimos três anos não seria também aplicado a empresas públicas como a RTP ou a Lusa". Uma reestruturação que, no caso da estação pública de televisão e rádio deverá estar para ficar. "A RTP fez um esforço de redução que terá de continuar a ser feito no âmbito da reestruturação da empresa".

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