Jornal teve erro na capa durante mais de 100 anos

Um engano matemático de um jornalista, em 1898, fez saltar o número da edição da publicação de 14499 para 15000. Até ao ano 2000, o jornal norte-americano teve 500 edições fantasma

O erro de cálculo só foi identificado pelo The New York Times no início do século, altura em que os responsáveis escreveram uma nota justificativa aos seus leitores na capa. No entanto, o percalço foi esta semana revisitado pelo jornal The Atlantic, que voltou a revelar todos os pormenores.

No primeiro jornal do ano 2000, podia ler-se: "O erro foi detectado recentemente quando Aaron Donovan, um assistente, ficou curioso pela numeração, que ele atualiza todas as noites. Usando uma folha de cálculo, ele determinou o número de dias que passaram desde a fundação do The Times, a 18 de setembro de 1851. (...) Finalmente, ao analisar livros de capas históricas e excertos de filmes, o senhor Donovan localizou a data em que se saltaram 500 edições".

Finalmente, a informação presente na capa do jornal vencedor de 112 prémios Pulitzer foi retificada, mas não sem antes ter comemorado a sua 50000.ª edição que, na realidade, era a 49500.ª.

Exclusivos

Premium

Viriato Soromenho Marques

Madrid ou a vergonha de Prometeu

O que está a acontecer na COP 25 de Madrid é muito mais do que parece. Metaforicamente falando, poderíamos dizer que nas últimas quatro décadas confirmámos o que apenas uma elite de argutos observadores, com olhos de águia, havia percebido antes: não precisamos de temer o que vem do espaço. Nenhum asteroide constitui ameaça provável à existência da Terra. Na verdade, a única ameaça existencial à vida (ainda) exuberante no único planeta habitado conhecido do universo somos nós, a espécie humana. A COP 25 reproduz também outra figura da nossa iconografia ocidental. Pela 25.ª vez, Sísifo, desta vez corporizado pela imensa maquinaria da diplomacia ambiental, transportará a sua pedra penitencial até ao alto de mais uma cimeira, para a deixar rolar de novo, numa repetição ritual e aparentemente inútil.

Premium

Maria do Rosário Pedreira

Agendas

Disse Pessoa que "o poeta é um fingidor", mas, curiosamente, é a palavra "ficção", geralmente associada à narrativa em prosa, que tem origem no verbo latino fingire. E, em ficção, quanto mais verdadeiro parecer o faz-de-conta melhor, mesmo que a história esteja longe de ser real. Exímios nisto, alguns escritores conseguem transformar o fingido em algo tão vivo que chegamos a apaixonar-nos por personagens que, para nosso bem, não podem saltar do papel. Falo dos criminosos, vilões e malandros que, regra geral, animam a literatura e os leitores. De facto, haveria Crime e Castigo se o estudante não matasse a onzeneira? Com uma Bovary fiel ao marido, ainda nos lembraríamos de Flaubert? Nabokov ter-se-ia tornado célebre se Humbert Humbert não andasse a babar-se por uma menor? E poderia Stanley Kowalski ser amoroso com Blanche DuBois sem o público abandonar a peça antes do intervalo e a bocejar? Enfim, tratando-se de ficção, é um gozo encontrar um desses bonitões que levam a rapariga para a cama sem a mais pequena intenção de se envolverem com ela, ou até figuras capazes de ferir de morte com o refinamento do seu silêncio, como a mãe da protagonista de Uma Barragem contra o Pacífico quando recebe a visita do pretendente da filha: vê-o chegar com um embrulho descomunal, mas não só o pousa toda a santa tarde numa mesa sem o abrir, como nem sequer se digna perguntar o que é...