Negócio entre PT e Prisa desvalorizado em Espanha

Prisa está vendedora de activos, que lhe darão muito mais dinheiro (Digital Plus, por 2,5 mil milhões de euros) do que 30% da dona da TVI, avaliados em 50 milhões.

A intenção da Portugal Telecom (PT) comprar 30% da Media Capital ao grupo Prisa está a passar despercebida em Espanha.

O pequeno valor envolvido - fala-se em 150 milhões de euros por 30% do grupo português que detém a TVI -, num grupo que tem uma dívida de cinco mil milhões de euros (só em 2008, gerou 291 milhões de euros em juros) é uma das razões apontadas por especialistas espanhóis contactados pelo DN e que preferiram o anonimato para este desinteresse. Foram raras as notícias nos media daquele país sobre o assunto.

Segundo estes mesmos profissionais que seguem de perto a vida empresarial da Prisa é muito mais importante o desfecho (entre 5 de e 10 de Julho) da operação de fusão entre o grupo liderado por Juan Luis Cebrián e a Mediapro, no sentido da criação de um novo grupo que agregue os sectores audiovisuais. Essa nova holding, noticiaram vários meios de comunicação social, abrangeria a Media Capital, a Digital Plus e a Cuatro (canal da Prisa) e as estruturas da Globomedia e da Mediapro, tanto em Espanha como em Portugal. O valor desta operação é desconhecido, pelo menos do público, tal como o da alienação da editora Santillana, ao contrário do da venda da Digital Plus, a plataforma de TV paga, avaliada em 2,5 mil milhões de euros, e uma eventual ampliação de capital (900 milhões).

Mas a Prisa está já a implementar várias medidas para resolver a situação financeira do grupo, bem como o impacto da crise económica, nomeadamente a queda da publicidade. Assim, a Prisa quer cortar 15% dos funcionários (cerca de 2 mil) e reduzir 8% nos salários.

E nem mesmo depois de o negócio ter gerado polémica política, com os partidos da oposição a pedirem explicações a José Sócrates, uma vez que o Estado detém uma golden share na PT, o negócio foi digno de registo em Espanha.

Recorde-se que o negócio começou a ser visto como uma forma de o Governo vir a interferir na linha editorial da estação detida pela Media Capital (TVI), onde estão dois jornalistas tidos como críticos ao actual Executivo - o seu director-geral, José Eduardo Moniz, e Manuela Moura Guedes, directora-adjunta de Informação.

Perante as pressões da oposição, que continuarão esta semana (ver caixa), José Sócrates acabou por vetar o negócio. "Não quero que haja a mínima suspeita de que a compra de parte da TVI se destina a qualquer alteração da sua linha editorial", disse sexta-feira.

Do lado da PT, o seu presidente do conselho de administração, Henrique Granadeiro, considerou tratar-se de uma "tempestade de Verão".

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