Manuel Dias traça futuro negro para a imprensa escrita

O jornalista acaba de lançar a obra 'Jornal de papel - no corredor da morte'

O livro Jornal de papel - no corredor da morte, de Manuel Dias, mais do que uma viagem ao passado jornalístico do seu autor, é uma reflexão pessimista sobre o caminho que o jornalismo trilhou em Portugal.

Manuel Dias, jornalista ao longo de cinco décadas, a maioria das quais passadas ao serviço do Jornal de Notícias, fala com a propriedade de quem viveu por dentro o jornalismo: "Talvez os jornalistas não estivessem preparados para usufruir da liberdade que o 25 de Abril lhes deu".

A culpa, assegura, é de anos de censura e de opressão, de escrita condicionada, que terminaram abruptamente, tendo a liberdade sido sinónimo de exageros.

Nestes quase 37 anos, a actividade deu grandes passos em frente - "passou a dispor de meios que facilitam e agilizam a tarefa do jornalista" -, ao mesmo tempo que dava grandes passos atrás.

O jornalismo ficou preguiçoso e comodista, criou maus hábitos, garante Manuel Dias: "Em vez de procurar a notícia no local, o jornalista procura-a na Internet".

Jornal de papel -- no corredor da morte tem um tom pessimista, consonante com o pessimismo do seu autor relativamente ao futuro da imprensa em Portugal.

"Receio bem que a imprensa esteja a ponto de extinguir-se. As tiragens continuam a diminuir, muito do jornalismo que se faz é tribuna livre em que qualquer pessoa pode dar a sua opinião", enumerou Manuel Dias.

O jornalista acredita que os jornais não tiveram capacidade para criar meios de subsistência para superar a perda acentuada de leitores e a crise económica que emagreceu consideravelmente o espaço da publicidade.

Jornal de papel - no corredor da morte tem a chancela da Associação de Jornalistas e Homens de Letras do Porto e narra algumas histórias vividas pelo autor.

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